A queda de braço envolvendo o Conselho Regional de Medicina (CRM-PR) e a Associação Médica do Paraná (AMP) contra a Secretaria de Saúde do Estado do Paraná (Sesa) e a União, a respeito da campanha de vacinação contra a gripe A H1N1, ganhou mais um round. Ontem, o CRM e a AMP solicitaram que o Ministério Público Federal (MPF) entrasse com uma nova medida judicial para garantir que todos os paranaenses, independente da idade, tivessem o direito de receber a vacina. O conselho e a associação tinham uma liminar com essa exigência, que foi cassada no último dia 3 pelo presidente do Tribunal Regional Federal da 4.ª Região (TRF4), Vilson Darós.

De acordo com o vice-presidente do CRM-PR, Carlos Roberto Goytacaz Rocha, a briga para garantir que todos os paranaenses possam ser vacinados começou no início do ano. Para Rocha, o protocolo do Ministério da Saúde (MS), que não incluiu as faixas de zero a 19 anos e de 40 a 60 anos, foi equivocado. “Continuamos acreditando que todos deveriam ter acesso à vacinação. É importante que a população receba a dose, uma vez que o Paraná foi o estado com maior número de óbitos pela doença no Brasil e, proporcionalmente, no mundo, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS). Neste ano, seis pessoas morreram vítimas da gripe A H1N1”, afirma.

O médico informa que ocorreram muitos casos da gripe em pessoas com idades entre zero e 19 anos. Ele diz ainda que, pelo fato delas passarem muito tempo em ambientes fechados, podem ficar predispostas à doença. “Crianças e jovens até 19 anos deveriam ter prioridade. Acredito que o governo tenha como contornar eventuais dificuldades para vacinar a todos. Espero que o bom senso impere e consigamos a reversão da liminar”, avalia.

O secretário da saúde do Paraná, Carlos Augusto Moreira Júnior, concorda com as reivindicações do CRM e da AMP. Entretanto, lembra que não há muito que se fazer devido ao fato de que não há vacinas suficientes para atender a todos. “Sinto que estou de mãos atadas, pois acho muito válido o pedido das duas instituições. A Sesa já pediu junto ao Ministério da Saúde mais um milhão de doses, que acredito que devem vir, mas sem uma data estipulada. Se sobrar doses, vamos pedir mais e criar um cronograma para remanejar as vacinas sobressalentes”, garante.