Meteorologia

El Niño no Paraná: 32 cidades sofrem estragos e estado entra em alerta para o pico do fenômeno

Chuva deixou estragos em Guarapuava.
Chuva deixou estragos em Guarapuava. Foto: Ache Aqui Notícias / colaboração.

O fenômeno El Niño começou oficialmente no dia 11 de junho e o Paraná já começou a sentir seus efeitos. De acordo com o relatório de ocorrências da Defesa Civil do Paraná, desde o início do fenômeno até esta quinta-feira (9), 32 municípios foram atingidos por algum desses eventos e, ao todo, 5,84 mil pessoas foram afetadas.

De acordo com as novas informações do Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar), e dados atualizados da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA, na sigla em inglês), o El Niño irá trazer chuvas acima da média para todo o estado, em especial nas regiões Oeste e Sudeste, perto da bacia do Rio Iguaçu. O mundo poderá continuar sentindo os efeitos do evento climático até o fim do verão de 2027.

“O fenômeno vai se intensificar gradativamente ao longo do inverno e atingirá seu ápice entre a primavera e verão de 2026/2027”, detalha o Simepar. O órgão ainda aponta que há mais de 80% de chance de o El Niño atingir uma severidade entre forte e muito forte.

Paraná já sofre com o fenômeno

Para o estado do Paraná, o aquecimento das águas do Oceano Pacífico representa um aumento da ocorrência de eventos climáticos severos, como vendavais, granizos, inundações, enxurradas e deslizamentos de terra.

Algumas cidades do Centro e Sul já sentiram o efeito desses temporais. No final de junho, foram registradas chuvas de granizo com pedras enormes, que formaram uma camada de até 30 cm de gelo. Quatro cidades emitiram alertas e receberam apoio do estado.

Ainda segundo o relatório, as maiores ocorrências foram de granizo entre os dias 28 e 30 de junho. As cidades que mais tiveram danos foram: Marquinho (1,2 mil pessoas afetadas); Turvo (800 pessoas); Candói (840 pessoas); e General Carneiro (720 pessoas).

A Defesa Civil e o Simepar mantêm um monitoramento sobre a evolução do fenômeno que estará ativo até 2027. Segundo a Defesa Civil, esse acompanhamento é essencial para manter suas equipes municipais e regionais de prontidão.

Impactos esperados para o segundo semestre

De acordo com o Simepar, o El Niño pode trazer chuvas intensas em curtos intervalos de tempo, aumento na frequência de raios, rajadas de vento e, eventualmente, ocorrência de granizo. O inverno no sul do país tende a ser mais úmido.

Já a primavera, poderá apresentar chuva prolongada, aumentando o risco de inundações, enxurradas e alagamentos.

Apesar disso, o Simepar ressalta que é necessário manter um acompanhamento diário, pois a ocorrência dos eventos climáticos depende também de outros fatores, como frentes frias ou sistemas de baixa pressão.

Por ser um El Niño com alta probabilidade de ser forte e muito forte, o Simepar detalha que existe um aumento na chance de ocorrerem os padrões climáticos mais conhecidos do fenômeno. Mesmo que nem todo evento tenha o mesmo impacto em todas as regiões.

Como o Paraná se prepara para o El Niño

A Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) irá realizar no próximo dia 13, às 9 horas, um encontro técnico para tratar sobre o El Niño no estado. O evento ocorrerá no Auditório Legislativo, para debater os efeitos esperados do fenômeno e estratégias de prevenção para as chuvas que estão previstas.

Em suas notas técnicas, o Simepar e a Defesa Civil apontam que os prefeitos dos municípios devem manter os planos de contingência atualizados, bem como intensificar a desobstrução de galerias pluviais, a remoção de entulhos que possam obstruir o fluxo da água e a manutenção de telhados e calhas para evitar danos por vendavais.”

As entidades também reforçam a importância de monitorar possíveis áreas de risco e elaborar um estoque mínimo de assistência humanitária, como telhas, lona, cestas básicas e material para dormitório.

Por fim, a Defesa Civil relembra que existem avisos e alertas emitidos em conjunto com a Simepar, para avisar sobre eventos climáticos. Os órgãos manterão monitoramento 24h.

Os cidadãos podem enviar um SMS com seu CEP para o número 40199 para receber avisos de curto prazo e em tempo real.

Verbas do Fecap para calamidades públicas

O Paraná conta com um Fundo Estadual para Calamidades Públicas (Fecap), para auxiliar os municípios que decretam situação de emergência ou de calamidade pública. Um percentual menor foi destinado para prevenir esses eventos.

Em 2026 já foram repassados R$ 35,44 milhões para 31 cidades. O levantamento não informa a data que os recursos foram enviados ou recebidos.

Sete cidades receberam o auxílio para enfrentar danos de granizo. Da lista, o maior repasse foi para a cidade de Boa Ventura de São Roque, com R$ 3,23 milhões para recuperar o muro de arrimo de uma escola. A estrutura é projetada para melhorar desníveis de terra.

Doutor Ulisses (R$ 114 mil) e Paranavaí (R$ 672 mil) receberam devido às chuvas intensas, para recuperar as estradas e comprar combustível.

Neste ano, foram enviados R$ 5,82 milhões para prevenção de calamidades públicas, repartidos entre três municípios. Espigão do Alto pôde reconstruir sete pontes; Londrina recebeu verba primeiro para contenção de uma rodovia e depois para drenagem urbana de um córrego. Por fim, Perobal também fez obras de drenagem urbana e o loteamento de um terreno.

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