Após algumas trocas de partido e até “rasteiras”, a jornalista Cristina Graeml segue tentando emplacar sua candidatura a uma das vagas a que o Paraná tem direito no Senado Federal nas eleições de outubro. A caminhada, segundo ela, não tem sido fácil, já que tanto opositores quanto até supostos aliados tentam asfixiar sua candidatura com movimentos político-partidários. Agora, no PSD do atual governador Ratinho Júnior, ela acredita que vai conseguir o seu objetivo.
Em conversa com a Tribuna, ela explicou que os obstáculos fazem parte de sua caminhada desde a eleição de 2024, quando disputou em pé de igualdade a preferência do eleitor de Curitiba na disputa pela vaga de prefeita (perdeu no segundo turno para Eduardo Pimentel). Na ocasião, o próprio partido que lhe ofereceu legenda para a disputa, o PMB, declarou após a convenção que não reconhecia sua candidatura.
“O PMB foi o único que me ofereceu legenda naquela eleição, mas depois se arrependeu. Isso só confirmou a má fama que, infelizmente, alguns partidos chamados nanicos têm. Ao mesmo tempo que apoiavam uma candidatura de direita em Curitiba, apoiavam o (Guilherme) Boulos em São Paulo. Para eles não faz diferença, mas para mim fez e prejudicou”, contou. “Fui a primeira candidata independente do Brasil, já que nem meu partido queria minha candidatura”.
Mesmo assim, sem tempo de televisão e pouco dinheiro, Cristina conseguiu um resultado surpreendente na eleição, avançando para o segundo turno e conseguindo quase 400 mil votos (42,36% do total).
A partir dali, Cristina despertou o interesse de muita gente. “As pessoas viram que eu tinha viabilidade eleitoral. Fiquei conhecida em todo o estado”. A convite do Álvaro (Dias, ex-senador), ingressou no Podemos em ato de filiação com toda pompa, em Brasília, com a presença da presidente do partido, Renata Abreu, e já confirmada como pré-candidata ao Senado.
Começou, ali, sua jornada pelo interior do Paraná. Visitou quase 100 cidades, sendo recebida por prefeitos de todos os partidos. “Descobri, então, que estavam tentando minar internamente meu nome e minha relação com o Álvaro, fazendo pesquisas internas e até ligando para prefeitos. Quando eu e ele (Álvaro) percebemos isso, decidimos sair; ele para o MDB e eu para o União Brasil, a convite do senador Sergio Moro”, contou.
Cristina reconhece que ainda é inexperiente na análise político-partidária e acaba se surpreendendo com algumas movimentações. “É algo muito longe do que o eleitor enxerga e ainda estou engatinhando. Tem muitos lados – alguns nem olho por questões ideológicas, mas tem um emaranhado de partidos no centro e na direita”, contou.
Desafios nos bastidores das alianças
No União Brasil, a jornalista achou que encontraria seu espaço, mas a dança das cadeiras ainda não havia terminado antes do fechamento do prazo estipulado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para a chamada janela partidária. “Levei uma rasteira muito grande do Moro, que, sem me comunicar, negociou e foi para o PL. Ele sofria para desenrolar a questão da federação do PP com o União e o Ricardo Barros (que não queria a candidatura de Moro ao governo do Paraná), mas fiquei largada. Ele foi e não negociou a minha ida também”, lamentou.
Tentaram oferecer uma oportunidade de disputar vaga na Câmara dos Deputados, mas ela recusou considerando que estaria sendo “rebaixada”. Com receio de acabar em um partido nanico, como em 2023, a jornalista ficou apreensiva até receber um contato inusitado. “Do nada, sem eu imaginar, o pessoal do governador me procurou para conversar, faltando apenas uma semana para o fim da janela. Tivemos reuniões diárias com secretários, assessores e o próprio Ratinho; nos aproximamos e percebemos que havia convergência”, contou.
Política “engole” preferências pessoais
Da primeira conversa ao anúncio de filiação ao PSD, Cristina manteve uma certeza: não abria mão da candidatura ao Senado. “Ele sabe muito bem disso. Fiz uma longa jornada até aqui. Montei alianças com gente que já me conhecia, mas com prefeitos que passaram a me apoiar até mesmo após a ida do Moro para o PL”.
Hábil articulador, Ratinho percebeu que Cristina tinha capital político para influenciar o jogo pré-eleitoral. “Ele é um grande articulador e viu na minha chegada a chance de apaziguar algumas questões internas e para me dar um pouco de fôlego. Ele deixou claro que iria sentir a viabilidade, mas como tenho propostas, não ataquei ninguém e tenho respaldo popular, acredito que a candidatura é o caminho”, contou.
Ratinho teria dito a Cristina que a queria na disputa majoritária, diferente de outros partidos que tentaram convencê-la a disputar uma vaga nas proporcionais. “Ele me pediu para considerar a disputa como vice-governadora, mas sabe que não é o que eu quero. Não trabalhei para isso”, disse, sincera. Mas que vai considerar a possibilidade conforme o cenário se definir.
Sandro Alex foi escolhido como candidato do PSD ao governo no mesmo dia em que Alexandre Curi, presidente da Assembleia Legislativa, mesmo no Republicanos, foi confirmado como um dos candidatos ao Senado.
E Ratinho quer um candidato do seu partido na disputa e a mais cotada é Cristina. “Perguntei para ele se podia continuar minha pré-campanha e ele disse que sim. Sabe que terá um nome para o Senado. Agora é olhar o quadro e ver quem tem condições. Aposto muito na minha pré-candidatura. Mas ele pediu para que eu não tire a vice do radar”.
A definição de Ratinho Júnior sobre a chapa que vai tentar dar continuidade ao seu governo pode sair a qualquer momento, mas a decisão mesmo pode sofrer ajustes ou até uma mudança mais considerável até as convenções partidárias, programadas para julho e agosto.



