A escolha da cremação para os procedimentos funerários está se tornando uma opção cada vez mais frequente entre os brasileiros. Porém, apesar da popularização, a prática exige processos específicos, o que pode impedir a cremação, obrigando as famílias a realizar o sepultamento convencional.

O procedimento se torna mais fácil quando é constatada a morte natural, que deve ser atestada por um médico legista ou por dois médicos de outras especialidades. Além disso, é preciso que a pessoa que será cremada tenha manifestado em vida o desejo pela cremação. Em muitos casos, as empresas do ramo solicitam que os familiares registrem em cartório uma escritura pública na qual afirmam que o parente optou por ser cremado.

Porém, no caso das mortes violentas, causadas por atropelamentos, ferimentos por arma de fogo ou arma branca, acidentes de trânsito, suicídios e outras situações, a cremação só é feita se for apresentada uma autorização judicial para o procedimento, exigência prevista pela Lei dos Registros Públicos. O mesmo acontece quando a causa da morte não é definida, uma vez que todos os registros da pessoa são eliminados durante a cremação, em uma espécie de completa queima de arquivo.

“Se é uma morte violenta, a chance de ser crime é grande e depois que a pessoa é cremada a possibilidade de descobrir alguma coisa é muito reduzida”, explica Andrei Matzenbacher, diretor do Grupo Jardim da Saudade, que presta serviços de cremação. De acordo com ele, laboratórios com tecnologia avançada, mas que ainda não chegaram ao Brasil, conseguem fazer a identificação pelo DNA além de verificar alguns casos de envenenamento, mas fica impossível identificar traumas e perfurações sofridas.

Os valores mais baratos que os sepultamentos e a carência de espaço ajudaram a popularizar as cremações no Brasil. “Por ano o crescimento é de 7% a 12%. É significativo”, calcula Matzenbacher. Além disso, a cultura religiosa já não exerce tanta influência nestes rituais e o aspecto ambiental também conta a favor das cremações. Diferente de incinerar, a cremação acontece em temperaturas que podem chegar a 1.000 graus, o que acelera a decomposição do corpo pelo calor. Além disso, a tecnologia empregada nos processos está avançada, reduzindo a quase zero a emissão de poluentes. O resultado da cremação é uma espécie de farelo rico em cálcio, material que pode chegar a dois quilos quando é cremada uma pessoa adulta.