O terminal de ônibus do Pilarzinho, na região norte de Curitiba, ainda nem começou a ser construído e já é alvo de uma série de conflitos. De um lado estão moradores e comerciantes, que devem ter suas residências ou estabelecimentos desapropriados para a construção do terminal. De outro, está a Prefeitura, que já tem o projeto pronto e aprovado pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), e deve iniciar as obras no ano que vem.

A programadora de computação Thais Eliane Klug, cuja residência deve ser desapropriada, é uma das que tomou a frente no movimento contra a construção do terminal no local cogitado: entre as ruas Amauri Lange Silvério e Hugo Simas, próximo à Cruz do Pilarzinho. “Não levaram em conta as questões ambientais, nem sociais. Um terminal aqui traria insegurança ao bairro, com a presença de traficantes. Isso sem contar o congestionamento e a poluição”, critica. Além disso, há a questão financeira e emocional de deixar a residência onde ela mora com a mãe há 23 anos. “Não é tanto pelo dinheiro. O fato é que essa casa foi construída pelo meu pai, com muito sacrifício. Além disso, já estou acostumada em morar aqui, conheço todo mundo do bairro”, explica.

A estimativa, segundo a moradora, é que dezoito construções – entre residências e estabelecimentos comerciais – sejam desapropriadas. “Fizemos um abaixo-assinado e encaminhamos à Urbs e ao Ippuc. Também demos sugestões de onde poderia ser construído o terminal, mas eles parecem irredutíveis. Acho até que se trata de uma jogada política”, arrisca Thais. O local sugerido, conta, é o estádio de futebol localizado a alguns metros da Cruz do Pilarzinho.

Comércio

Para o comércio local, o prejuízo é certo. “O que mais revolta é o fato de a Prefeitura nem ter nos comunicado. É um desrespeito com a comunidade do Pilarzinho”, reclama Cleomar Scandelari, proprietária do Comércio de Ferragens Romana, instalada no bairro há 50 anos. Para ela, “é impossível” formar uma clientela como a que tem, em outro local. “Vou tentar ficar aqui de qualquer jeito. Meu avô foi um dos desbravadores do bairro”, conta.

O sócio-gerente do aviário Casa do Pequeno Animal, Estanislaw Byczkowski, concorda. “Não tem como sair daqui. Vamos para onde?”, questiona. Ele conta que ainda não recebeu comunicado da Prefeitura, nem ficou sabendo da audiência pública realizada na igreja do bairro, em maio último. “Os comerciantes não sabiam de nada”, diz.

Projeto foi aceito, diz município

Lyrian Saiki

A Prefeitura de Curitiba alega que realizou audiência pública com os moradores do Pilarzinho, no dia 27 de maio último, e o projeto do novo terminal foi bem recebido pelos moradores. Segundo estimativa da Prefeitura, o novo terminal vai beneficiar cerca de 30 mil usuários por dia na região.

Ele será construído entre as ruas Amauri Lange Silvério e Hugo Simas, próximo à Cruz do Pilarzinho. O equipamento terá 14 plataformas e duas estações-tubo e vai atender as linhas Interbairros, Direta (Ligeirinho), Madrugueiro, Expresso e Alimentador. No terminal do Pilarzinho, o investimento previsto será de US$ 895 mil, com recursos do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), mais R$ 280 mil em desapropriação de imóveis localizados na área do terminal. As linhas de ônibus que devem atender ao terminal são as seguintes: Fredolin Wolf, Raposo Tavares, Jardim Kosmos, Bracatinga, Primavera, Bom Retiro/PUC, Mateus Leme, Santa Felicidade/Santa Cândida, Júlio Graff, Tanguá e Vila Marta.