A partir de 2027, a composição da nova Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) será mais velha do que a formada após as eleições de 2022. Considerando a idade exata dos parlamentares em anos completos no dia do pleito, a média passou de 50,06 anos, em 2022, para 51,02 anos, em 2026.

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Apesar de um aumento singelo, a diferença também aparece na presença de parlamentares mais jovens. Nas Eleições 2026, nenhum candidato com menos de 30 anos foi eleito para a Alep. Pela legislação eleitoral, a idade mínima para disputar uma vaga de deputado estadual é de 21 anos.

Em 2022, a deputada estadual mais jovem eleita foi Ana Júlia (PT), aos 22 anos. Quatro anos depois, a parlamentar mais jovem a assumir uma cadeira na Assembleia será Yasmin Hachem (PT), que tem 30 anos. 

No outro extremo da composição, a idade do candidato mais velho eleito praticamente se mantém: em 2022, Tercilio Turini (PSD), foi eleito aos 78 anos. Apesar de ter disputado novamente neste pleito pelo MDB, não se elegeu. Em 2026, Paulo Mac Donald (PP) é o mais velho da Casa, com 78 anos a serem completados ainda neste ano.

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No pleito anterior, o grupo entre 40 e 49 anos, que concentrava a maior parcela da Assembleia em 2022, perdeu quatro cadeiras e passou de 18 para 14 deputados. Já as faixas a partir dos 50 anos ganharam espaço: o grupo de 50 a 59 anos passou de 15 para 17 cadeiras.

Confira, abaixo, a ocupação das cadeiras da assembleia por faixa etária:

Faixa EtáriaEleitos 2022 % 2022Eleitos 2026 % 2026Variação (Cadeiras)
Abaixo de 30 anos23,7%00,0%-2
30 a 39 anos814,8%916,7%+1
40 a 49 anos1833,3%1425,9%-4
50 a 59 anos1527,8%1731,5%+2
60 a 69 anos916,7%1018,5%+1
70 anos ou mais23,7%47,4%+2
Total54100%54100%—

Renovação da assembleia

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O aumento da idade média, porém, não significa ausência de renovação na Assembleia. Nas Eleições 2026, a taxa de renovação da Casa foi de 42,59%, próxima da média histórica das cinco eleições anteriores, de 43,71%. A partir de 2027, 23 novos deputados ocuparão cadeiras no Legislativo estadual.

A comparação com os pleitos anteriores mostra que a renovação de nomes faz parte do padrão recente da Alep, ainda que não tenha produzido uma mudança significativa no perfil etário dos parlamentares. A maior taxa foi registrada em 2018, quando 32 novos deputados foram eleitos, o equivalente a 59,26% da composição. Em 2022, foram 24 novos parlamentares, ou 44,45% das cadeiras.

Nas eleições anteriores, a renovação também apresentou índices próximos: 38,89% em 2014, com 21 novos deputados; 35,19% em 2010, com 19 estreantes; e 40,74% em 2006, quando 22 novos nomes chegaram à Assembleia. Considerando os cinco pleitos anteriores, a média ficou em 43,71%.

Os dados mostram, portanto, uma diferença importante entre renovar a composição da Assembleia e rejuvenescer a Casa. Para Fernando Knoerr, professor do Programa de Mestrado e Doutorado da UniCuritiba, o perfil mais maduro dos parlamentares eleitos pode ser relacionado a características tradicionais do eleitorado paranaense. Segundo ele, esse cenário contribui para que mudanças na composição etária dos eleitos ocorram de forma mais lenta.

Na avaliação do especialista, a experiência de vida também exerce influência sobre a escolha dos parlamentares. “Para que sejam feitas boas leis é necessário ter uma certa experiência de vida. Leis não podem ser feitas no impulso, leis não podem ser feitas por ocasião. Elas têm que nascer de uma certa experiência de vida”, diz.

Nesse sentido, a renovação das cadeiras pode ocorrer sem uma transformação geracional da Assembleia. Para Nilton Sainz, especialista em Data Science e professor da Universidade Federal do Paraná (UFPR), a sub-representatividade da juventude está menos relacionada à composição demográfica e mais à forma como os candidatos chegam ao mandato. 

“Muitos são ex-vereadores, ex-prefeitos ou pessoas que já tinham carreira na política. Renovar caras não é rejuvenescer. O segundo é a força de quem já tem mandato. Em 2022, cerca de 64% dos deputados que tentaram a reeleição conseguiram, o que deixa poucas cadeiras livres. Quem tem mandato costuma ter mais recursos de campanha e mais visibilidade”, aponta.

A análise ajuda a explicar por que a chegada de novos nomes à Alep não necessariamente altera a idade média da Casa. A renovação pode representar uma mudança significativa de parlamentares sem, ao mesmo tempo, modificar de maneira proporcional o perfil etário do Legislativo.

A nova Alep

Além da idade, a nova composição da Alep também apresenta mudanças no perfil de representação. O percentual de mulheres eleitas registrou uma pequena queda na comparação entre 2022 e 2026, passando de 18,52% para 16,67% da composição total da Assembleia. Na prática, isso representa uma cadeira a menos ocupada por uma mulher.

A composição partidária também mudou de forma significativa. Em 2026, PL (Partido Liberal) e PSD (Partido Social Democrático) aparecem como as maiores bancadas eleitas, com 14 deputados cada. O resultado amplia a presença do PL, que conquistou nove cadeiras a mais em relação a 2022.

No sentido contrário, o União Brasil deixou de ter representação entre os eleitos para a próxima legislatura, depois de conquistar sete cadeiras em 2022. O Novo, por sua vez, passou a integrar a Assembleia com três deputados eleitos.

As mudanças também apontam para uma redução da pulverização partidária na Casa. O número de partidos com representação entre os eleitos caiu de 14, em 2022, para nove, em 2026. Com isso, uma parcela maior das 54 cadeiras ficará concentrada nas quatro maiores bancadas: PL, PSD, PT e PP.