Pontal do Paraná vive uma forte expansão da base empresarial. O município passou de 1.622 registros empresariais em 2019 para 6.441 em 2026, um aumento de 4.819 registros, ou 297,1% em sete anos. O crescimento proporcional foi o maior entre os sete municípios do Litoral do Paraná no período analisado.

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Os números fazem parte de um levantamento divulgado pela Prefeitura de Pontal do Paraná, elaborado com base em informações da Receita Federal, do Portal Dados.gov.br, do Mapa de Empresas, do Empresa Fácil/Jucepar e de dados municipais. A análise considera os registros empresariais entre dezembro de 2019 e agosto de 2026. Os CNPJs estão distribuídos por diferentes setores, como comércio, alimentação, hospedagem, construção, transporte, serviços, saúde, educação, mercado imobiliário, agricultura, pesca, cultura e esporte.

O avanço de Pontal ocorre dentro de um movimento maior de expansão empresarial no Litoral. Juntos, os sete municípios passaram de 13.563 registros em 2019 para 45.737 em 2026, crescimento de aproximadamente 237%. Guaratuba e Paranaguá também apresentaram altas expressivas, de 235,3% e 235,2%, respectivamente. Em números absolutos, Paranaguá teve o maior acréscimo, com 13.694 novos registros no período.

Embora o número de CNPJs não represente, isoladamente, crescimento de faturamento, empregos ou atividade econômica na mesma proporção, o levantamento revela uma mudança importante na estrutura empresarial da cidade. O aumento também pode refletir processos de formalização e a simplificação da abertura e legalização de negócios. Na prática, porém, quem acompanha o comércio local percebe que a transformação vai além dos números.

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“O que aconteceu principalmente nos últimos cinco anos surpreende. Todo dia abre um comércio novo, dos pequenos aos grandes. Pontal está em uma evolução muito grande que, na minha visão, está começando”, afirma o empresário José Paulo Santana, de 59 anos.

Santana atua há cinco anos em Pontal do Paraná e conhece o movimento do comércio local de perto. Ele é proprietário de cinco lojas de tintas no Litoral, além de uma indústria de tintas e uma fábrica de equipamentos tintométricos. Na avaliação dele, o crescimento da cidade já está alterando tanto a oferta de produtos e serviços quanto o perfil dos consumidores.

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Para o empresário, alguns setores têm papel especialmente importante nesse processo. Mercado imobiliário, construção civil e turismo, segundo ele, funcionam como motores capazes de movimentar uma série de outras atividades.

“O mercado de imóveis está aquecido e, quando você vende um imóvel, isso puxa a construção. A construção puxa uma série de outros negócios. O turismo também movimenta alimentação, vestuário, farmácias e diversos serviços. Pontal está em um momento muito bom para investir, expandir e abrir novas operações”, afirma.

Outro sinal percebido por Santana é a chegada de instituições financeiras ao município. “Quando uma instituição financeira decide se instalar, existe uma leitura de que há mercado e perspectiva. Pontal está sendo olhada não apenas pelo comércio, mas também pelo setor financeiro e por quem pretende investir”, afirma.

Pequenos negócios no centro da transformação

O movimento também é acompanhado pelo Sebrae, que vê o Litoral como uma região com espaço para ampliar a atividade econômica e diversificar a atuação dos pequenos negócios. Para o superintendente do Sebrae no Paraná, Vitor Roberto Tioqueta, a expansão empresarial precisa vir acompanhada de preparação dos empreendedores para que eles consigam aproveitar as novas oportunidades.

“O Sebrae tem um trabalho diferenciado buscando o desenvolvimento dos territórios do Paraná, e nós consideramos o Litoral um território que pode ser mais desenvolvido do que já é. Quando começamos a olhar esses números, entendemos que precisamos fazer um trabalho ainda maior para atender às pequenas empresas”, afirma.

Segundo Tioqueta, os pequenos negócios têm participação relevante na economia regional. A estratégia do Sebrae inclui ações de gestão, capacitação e consultoria, além da aproximação entre empresários, poder público, fornecedores e consumidores.

“Nosso objetivo é conectar o poder público, os empresários, os parceiros, fornecedores e clientes, trazendo oportunidades de desenvolvimento para as empresas, melhoria em gestão, capacitação e consultoria. A ideia é que as empresas possam ganhar mais, vender mais, crescer mais, gerar empregos e renda”, explica.

A atuação também busca fortalecer uma economia que não dependa exclusivamente da temporada de verão. Para Tioqueta, o fluxo de visitantes durante todo o ano representa uma oportunidade que pode ser aproveitada de melhor forma pelos negócios locais.

“O Litoral não é só verão. As pessoas vêm para cá durante o ano todo, para fazer turismo e conhecer a região. Precisamos preparar as empresas para aproveitar essas oportunidades e fazer com que o desenvolvimento aconteça no território como um todo”, afirma.

Uma cidade que começa a atrair novos negócios

O município, historicamente associado ao turismo de temporada, passa a ser observado como um mercado com potencial de consumo e espaço para novas empresas.

Para Roberto Stelmak Jr., presidente do Comitê Territorial de Desenvolvimento do Litoral do Paraná, que representa os sete municípios da região, o movimento empresarial está ligado a uma transformação mais ampla na economia local. Ele observa que investimentos públicos e privados vêm aumentando o interesse de empresas e investidores pela cidade.

“Quando a gente olha a quantidade de investimentos que está vindo para a região, percebe que eles viabilizam também os investimentos privados. Já estamos vendo empresários fazendo aquisições e grandes empresas comprando áreas. Isso demonstra que existe uma expectativa muito grande em relação ao desenvolvimento de Pontal”, afirma.

Na avaliação de Stelmak, a chegada de novos negócios também muda a relação entre empresas e consumidores. Com mais concorrência, o comércio local precisa se adaptar a um mercado menos dependente da sazonalidade e mais competitivo.

“O comerciante local precisa se adequar a uma nova realidade. Precisa ser competitivo, diversificar, inovar e manter aquele atendimento diferenciado e humanizado para garantir a sustentabilidade do negócio e continuar atendendo à comunidade”, diz.

A expectativa é que esse movimento continue nos próximos anos, impulsionado pela combinação entre novos moradores, consumo, investimentos e diversificação das atividades econômicas.