As chuvas dos primeiros dias de maio já atingiram a média histórica para o todo o mês em regiões do Paraná, segundo o Simepar (Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná). Em abril, algumas regiões chegaram a registrar volume acima da média. Ainda assim, há níveis de seca em todo o território paranaense.
Em maio, informa o Simepar, 18 estações meteorológicas com mais de cinco anos de operação chegaram à média histórica para o mês, graças a um ciclone extratropical na Argentina observado no dia 8. O fenômeno trouxe uma frente fria que gerou chuva intensa em todo o estado.
Entre os dias 7 e 10, os maiores volumes de chuva foram registrados em estações nas cidades de Altônia, Antonina, Cambará, Campo Morão, Cândido de Abreu, Cerro Azul, Cianorte, Cornélio Procópio, Curitiba, Fazenda Rio Grande, Irati, Jaguariaíva, Lapa, Londrina, Maringá, Paranavaí, Ponta Grossa, e Telêmaco Borba.
Em abril, ainda segundo o Simepar, as chuvas atingiram o Paraná de forma irregular. Apesar de vários dias sem chuva, quando houve precipitação, os volumes foram suficientes para que as estações ultrapassassem a média histórica para o período. Houve registros acima da média no Litoral Norte, nos Campos Gerais, no Centro e em parte do Oeste.
Em alguns municípios, o volume superou os 50 milímetros na primeira semana. “Nos últimos dias de abril e início de maio, também tivemos volumes de chuva de mais de 100 milímetros no centro norte do estado. Isso favoreceu para que as chuvas ficassem acima da média nesses setores do estado”, explica Reinaldo Kneib, meteorologista do Simepar.
Já Cidades como Altônia, Curitiba, Francisco Beltrão, Guaira, Guaratuba, Maringá, Palmas, Palotina, Paranaguá, Paranavaí, Pato Branco, Pinhais e Umuarama ficaram abaixo ou muito perto da média para o período.
Seca: recuo no Leste e avanço no Sul e Noroeste
Segundo o Monitor de Secas, da Agência Nacional de Águas, divulgado nesta segunda-feira (18), uma área do Leste recuou de seca moderada para fraca devido às chuvas acima da média no mês anterior. Já no Sul e no Noroeste, por falta de chuva significativa, o estágio mudou de seca fraca para moderada.
“Em relação à seca que vem sendo registrada desde o início do ano e em alguns pontos, até mesmo desde 2025, ela continua com alguma categoria em todos os municípios paranaenses”, informa Kneib, que participa do Monitor de Secas.
“No extremo Sul do estado – divisa com Santa Catarina – e no extremo Noroeste – divisa com Mato Grosso do Sul -, as chuvas abaixo da média e outros indicadores relacionados à temperatura, à umidade do solo, favoreceram com que a seca se agravasse”, detalha.
Chuvas ajudaram reservatórios
Segundo a Sanepar, os níveis das represas estão subindo devido ao volume de chuvas de abril e a primeira metade de maio. O reservatório de Iraí, que já esteve em 61% de sua capacidade, hoje registra 72,9%, enquanto o de Piraquara I registra 86,5%, o Piraquara II, 83,6% e o SAIC (Sistema de Abastecimento de Água Integrado de Curitiba), que recebe reforço do Reservatório Miringuava, em processo de enchimento, opera com 79,71%.
Erguida em São José dos Pinhais, na RMC, o Miringuava tem capacidade para armazenar 38,2 bilhões de litros de água. O reservatório beneficiará 650 mil pessoas e foi projetado para acompanhar o crescimento da demanda hídrica da região.
A barragem fortalece o sistema que abastece 3,5 milhões de habitantes da região metropolitana, especialmente os bairros Caximba, CIC, Ganchinho, Tatuquara, Umbará e Sítio Cercado, em Curitiba, além das cidades de Araucária, Fazenda Rio Grande e São José dos Pinhais.
A orientação da companhia de saneamento de água à população é pela manutenção do consumo consciente. No início de maio, o governo do Paraná decretou Situação de Emergência Hídrica em todo o estado. Válido por 180 dias, tomou como base o déficit acumulado de chuvas no primeiro semestre, influenciado pela fase final do fenômeno La Niña e pela atuação de massas de ar seco.
Pelo decreto, a Sanepar e as demais concessionárias estão autorizadas a implantar rodízio no abastecimento público para preservar o volume útil dos reservatórios, a intensificação do monitoramento da qualidade da água bruta — reduzindo riscos devido à baixa capacidade de diluição de efluentes — e campanhas de conscientização para a redução do consumo.
