Hoje é dia de festa para cerca de 10% da população mundial. Afinal é dia do canhoto. Dia de uma parcela significativa da população que usa o lado esquerdo do corpo em detrimento do direito. E os canhotos têm sim muito o que comemorar. Apesar das dificuldades e barreiras que ainda persistem em um dia-a-dia pensado para destros, os tempos são outros. A idéia de que ser canhoto é ser errado a muito foi abandonada da escola. “Antigamente era complicado. A professora fazia uma marca na mão direita para gente se forçar a escrever como os outros”, lembra o escritor Fábio Marcchioro.

Casos como os de Fábio eram mais comuns do que se pensa. Quem garante é o psicopedagogo Marcos Meier. Segundo ele, são vários os casos de pessoas que sofreram preconceito ou foram recriminadas por usarem a mão esquerda quando crianças e, que na vida adulta apresentam distúrbios de comportamento. “As pessoas apresentam um sentimento de frustração que pode piorar e causar graves problemas”, diz.

Mesmo com as dificuldades, a maioria dos canhotos soube conciliar o uso da esquerda para uma realidade dos destros. Para as irmãs Roskamp, por exemplo, frustração é uma palavra que não está associada à parte esquerda do corpo. “Somos diferentes”, considera a médica Anelise que conseguiu se adaptar a instrumentos simples criados para destros. “Uso facas e cortadores com a direita. Mas no trabalho não dá. É sempre com a esquerda.” Sua irmã, a dentista Liliane, teve um pouco mais de trabalho para exercer a profissão . “Quando fiz faculdade os esquipamentos não eram apropriados para canhotos. Era complicado.” Hoje ela tem seu consultório adaptado. “Para algumas coisas, uso a direita, mas com broca, por exemplo, tem de ser com a esquerda.”