Pontos de ônibus com bancos para sentar. Esse é o objetivo da campanha “Chega de bundódromo nos pontos de ônibus”, iniciada nesta semana pelo deputado estadual Rasca Rodrigues (PV). Apesar de pedir mais conforto, a proposta não tem adesão total entre quem utiliza os 9.050 pontos espalhados pela capital (descontando as paradas localizadas nos terminais).

Do alto dos seus 83 anos, a usuária Alice Siqueira avalia negativamente a proposta. “Há tanta coisa mais importante para resolver… Além disso, eu não faço questão de sentar, já que será mais um lugar para vagabundo se abrigar e sujar tudo. Fica até perigoso pegar uma doença”, pondera. Para ela, o segredo de tamanha disposição está no hábito de se manter ativa. “Eu pouco sento”.

A colega dela, Maria Angel, 66, acredita que a ideia pode ser útil para quem tem dificuldade de locomoção ou problemas de saúde. “O ônibus demora cada vez mais. Seria bom se todo mundo pudesse esperar sentado, mas acho que dependendo do horário pode faltar banco”, analisa. O técnico de equipamentos tecnológicos Heitor Henrique Castioni, 19, também apoia a campanha em função do tempo de espera pelo ônibus. “Já fiquei duas horas de pé no ponto”, afirma. Como sequelas da paralisia infantil, o designer gráfico Clodoaldo Lima, 29, também se mostra favorável. “Ajudaria muito poder descansar os braços enquanto o ônibus não vem”.

No panfleto de divulgação da campanha, o deputado explica que no contrato firmado em 2002 entre a prefeitura e a Clear Channel, empresa que forneceu 2.553 pontos, os bancos foram dispensados por vincular a ideia de falta de agilidade ao ônibus. O contrato em questão tem 20 anos de duração, prorrogáveis por mais cinco anos.

O coordenador de operações da Clear Channel em Curitiba, Rodrigo Vipieski, informa que se a ideia do deputado se transformar em lei, o contrato precisará de um aditivo com os valores devidamente revistos. “Junto ao custo dos bancos, há o custo de manutenção desse mobiliário, que é danificado constantemente. Aliás, entre as capitais brasileiras onde a Clear Channel atual, Curitiba é a com maior número de ações de vandalismo”, revela.