No primeiro semestre de 2026, os sinistros envolvendo caminhões foram os que mais resultaram em mortes nas rodovias do Paraná. Segundo o balanço semestral da Polícia Rodoviária Federal (PRF), 144 pessoas morreram em ocorrências envolvendo esses veículos, enquanto os demais tipos de sinistros somaram 141 mortes.

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Em 2024, foram registrados 18,5 mil acidentes envolvendo veículos de carga em todo o Brasil, com 2.884 mortes, segundo dados da PRF. No ano seguinte, foram cerca de 19 mil ocorrências desse tipo. No Paraná, os veículos de carga estiveram envolvidos em aproximadamente 27% dos 7.620 acidentes registrados em 2025.

A maior parte dos sinistros nas rodovias envolve carros e motocicletas, principalmente durante o dia, em pista seca e em trechos de pista dupla. A letalidade, porém, é maior nas pistas simples. No primeiro semestre de 2026, esses trechos concentraram 57,9% das mortes, com 165 óbitos.

Esse cenário também aparece no acidente registrado na manhã desta quarta-feira (19), na BR-373, em Ipiranga. O trecho é de pista simples e uma colisão frontal entre um caminhão e um veículo da Secretaria de Saúde de Imbituva deixou 23 mortos e cinco feridos. Informações preliminares apontam que o caminhão teria invadido a pista contrária.

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Na terça-feira (18), outro acidente grave envolvendo veículos pesados ocorreu no km 41 da BR-277, em Morretes. Um engavetamento envolvendo quatro carretas e seis automóveis deixou duas pessoas mortas e cinco gravemente feridas. Durante a apuração, a PRF identificou manipulação no sistema de freios da carreta apontada como responsável pelo início da ocorrência.

Para Daniel Bassoli, diretor executivo da Federação Nacional da Inspeção Veicular (FENIVE), a sequência de acidentes reforça a necessidade de considerar diferentes fatores na prevenção, incluindo o comportamento dos condutores e as condições técnicas dos veículos.

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“Quando falamos em segurança viária, precisamos falar de imprudência, velocidade, jornada dos motoristas e respeito às regras. Mas precisamos olhar também para o veículo que está na estrada. Caminhões e carretas operam com peso elevado e, quando existe uma irregularidade ou falha em sistemas essenciais como freios, pneus, suspensão ou direção, as consequências podem ser muito graves”, afirma.

Causas dos acidentes são diversas

Entre os fatores associados aos acidentes estão excesso de carga, fadiga, condições climáticas, uso de celular e negligência. A infraestrutura também pode contribuir para a ocorrência e a gravidade dos sinistros. Segundo a 28ª Pesquisa CNT de Rodovias, 42,5% dos trechos avaliados no Paraná tinham condição regular, enquanto 8,3% foram classificados como ruins e 0,6%, péssimos. O levantamento identificou ainda 16 pontos críticos no Estado.

O acidente registrado na terça-feira na BR-277 reforça essa discussão. A constatação da PRF de que houve manipulação no sistema de freios da carreta envolvida no engavetamento mostra como irregularidades em componentes essenciais de segurança podem estar presentes em ocorrências de grande gravidade.

Bassoli ressalta que as falhas mecânicas não podem ser apontadas como causa de todos os acidentes envolvendo veículos pesados. A própria PRF identifica o comportamento dos condutores entre os principais fatores relacionados às ocorrências. Para a FENIVE, porém, a segurança viária depende de diferentes elementos e, por isso, as condições técnicas dos veículos também precisam integrar as políticas de prevenção.

“É exatamente para agir antes do acidente que existe a inspeção técnica veicular. A inspeção permite identificar alterações, irregularidades e condições que comprometem a segurança antes que o veículo esteja circulando pela rodovia. Não podemos esperar que um problema em um sistema de freios seja descoberto somente depois de uma tragédia”, ressalta Bassoli.