Quem planeja curtir as férias e os dias mais quentes em rios e cachoeiras deve ficar atento. Janeiro, historicamente o mês mais chuvoso no Paraná, cria o cenário perfeito para um fenômeno perigoso e muitas vezes fatal: a cabeça d’água.
O Corpo de Bombeiros Militar do Paraná (CBMPR) reforça que o risco é real, especialmente no Litoral. Cidades como Antonina, Guaraqueçaba e Guaratuba costumam registrar mais de 380 milímetros de chuva nesta época do ano, segundo dados do Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar).
O que muita gente não sabe é que a cabeça d’água pode surgir mesmo quando o céu está azul sobre sua cabeça. O fenômeno acontece quando chuvas intensas nas partes altas das bacias hidrográficas provocam um aumento repentino do volume e da velocidade da água em rios, córregos e cachoeiras. Em questão de minutos, o que era um local tranquilo para banho se transforma em uma correnteza violenta e imprevisível.
Sinais que podem indicar cabeça d’água em rios e cachoeiras
Fique de olho nos sinais de alerta. O CBMPR orienta que alguns indícios podem salvar vidas: a água ficando mais escura ou barrenta, galhos e folhas descendo pelo rio, aumento da velocidade da correnteza e um barulho mais forte da água. Se notar qualquer um desses sinais, não hesite: saia imediatamente do rio e procure um lugar alto e seguro.
As áreas de maior risco são justamente as mais procuradas para lazer: rios, córregos, cachoeiras, trilhas que cruzam cursos d’água, cânions e vales estreitos. Regiões de serra e áreas de mata fechada merecem atenção redobrada, pois concentram a drenagem da água e dificultam a visão do que acontece rio acima.
Alguns hábitos comuns entre turistas aumentam significativamente o perigo: ficar muito tempo dentro d’água, especialmente em dias com previsão de chuva; acampar ou fazer piqueniques em ilhas, bancos de areia ou margens baixas; e considerar apenas o clima local, sem verificar as condições meteorológicas de toda a região.
A capitã Tamires Pereira, do Corpo de Bombeiros Militar do Paraná, ressalta a importância do planejamento. “Antes de iniciar qualquer atividade em áreas naturais, é fundamental verificar a previsão do tempo, avisar familiares ou amigos sobre o roteiro e o horário previsto de retorno, além de evitar locais isolados ou sem rotas de fuga. A observação constante das mudanças no ambiente pode fazer toda a diferença para prevenir acidentes”, orienta a oficial.
Para quem curtir o Litoral, a capitã também lembra que o banho de mar deve ser realizado sempre em frente aos postos de guarda-vidas, que funcionam diariamente das 8h às 19h. Em situações de risco ou emergência, a recomendação é manter a calma, buscar um local seguro e acionar imediatamente o Corpo de Bombeiros pelo telefone 193.
Dicas rápidas de prevenção contra cabeça d’água:
- Verifique a previsão do tempo para toda a região, não apenas para o local do passeio.
- Evite rios, cachoeiras e trilhas em dias de chuva ou instabilidade climática.
- Fique atento à mudança da cor da água e à presença de galhos e detritos.
- Nunca permaneça em ilhas, bancos de areia ou margens baixas.
- Ao notar qualquer alteração, saia imediatamente do leito do rio e busque local elevado.
- Em caso de emergência, ligue 193 e siga as orientações do Corpo de Bombeiros.



