A modificação genética da bactéria Herbaspirillum seropedicae será uma importante arma da agricultura paranaense nos próximos anos. A bactéria – que tem como função a fixação do nitrogênio em plantas como trigo, milho, sorgo, arroz e cana-de-açúcar – teve seu seqüenciamento genômico descoberto após quase três anos de pesquisa do Programa Genoma do Paraná (Genopar). Hoje, a primeira fase do trabalho, que conta com a participação da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), Embrapa-Soja, Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioste), Universidade Estadual de Maringá (UEM), Universidade Estadual de Londrina (UEL), Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) e Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), será apresentada no Auditório Azul do campus da UFPR do Jardim Botânico, em Curitiba.

Segundo o coordenador geral do Genopar, Fábio de Oliveira Pedrosa, a bactéria tem 5.079 genes, sendo 56,9% com função definida, e 5.528.11 pares de bases nitrogenadas. Para fazer o seqüenciamento foram feitas 123.001 reações e descobertos 754 genes que não existem em outros organismos. "A próxima parte do projeto é conseguir fazer modificações genéticas que potencializem a capacidade da bactéria", explicou.

Quando a bactéria absorve nitrogênio excreta amônia, que ajuda no desenvolvimento da planta. A expectativa dos cientistas é de que entre dois e quatro anos a potencialização da produção da amônia através da bactéria seja possível com as modificações no genoma. "Aí será possível substituir o fertilizante nitrogenado que existe hoje. A economia para o País será de US$ 420 milhões por ano. O Paraná economizará anualmente US$ 105 milhões", disse.