A inflação pode fechar, este ano, próxima à meta do governo de 5,1% para o ano. A avaliação é do coordenador de Análises Econômicas do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Salomão Quadros.

"O que antes se mostrava muito pouco factível, que era o resultado do final do ano da inflação ficar perto da meta estabelecida, hoje já deixou de ser uma coisa tão difícil assim", acredita. "Cada vez mais as expectativas do mercado são de que a meta, finalmente, pode ser atingida. Há uma série de fatores responsáveis e talvez a questão da política monetária seja uma delas.

Segundo o coordenador, a variação de preços no atacado está caindo e a queda está sendo transmitida de forma muito disseminada para o varejo, conforme vêm demonstrando os resultados dos IGPs (Índice Geral de Preços). Salomão Quadros destacou que o IGP-DI é o índice usado para o reajuste das tarifas públicas e com taxas mais baixas vai provocar um efeito menor de realimentação de inflação.

"A chance de atingir meta, exatamente, no nível central tem crescido muito nas últimas semanas", informou.

Segundo o economista, o ciclo de deflação (maio a agosto) que o Índice Geral de Preços (IGP-DI) vem registrando é o maior dos últimos 40 anos. Ele acredita que por conta desse comportamento, o Índice, que começou a ser calculado em 1947, pode terminar 2005 com um dos menores resultados da história.

O coordenador lembrou que o IGP-DI registra alta acumulada de janeiro a agosto de 0,32% e em doze meses de 2,71%. "Só na fase do câmbio flexível, na fase em que os IGPs subiram um pouco mais em resposta às flutuações cambiais, essa é a menor variação em doze meses. Então, realmente, a gente pode ter um resultado excepcional", avaliou.