Manizales, 27 (AE) – Mais uma vez o Santos nadou e morreu na praia, dessa vez nas quartas-de-final da Taça Libertadores da América. Nesta quinta-feira, contra o nada assustador Once Caldas, da Colômbia, precisava vencer, mas perdeu por 1 a 0. Tinha melhor time, melhores atletas, mas parece ter desaprendido como se joga futebol.

Naturalmente seria uma partida nervosa. Ninguém tinha dúvida disso. Mesmo assim todo mundo estranhou o estado apático com que o Santos iniciou o confronto. Estranhou mais ainda a baixa qualidade técnica apresentada, afinal a partida valia pelas quartas-de-final da principal competição sul-americana.

O colombiano Moreno aparecia mais que Robinho, Diego ou qualquer um dos santistas. Era o destaque em campo. O que não queria dizer muito. Poucas oportunidades foram criadas. Em uma delas, aos 23, deram espaço a Moreno e ele foi entrando, cruzou na área e André Luís afastou.

Do outro lado, Diego parecia estar a fim de jogo desde o início. Todas os lances passavam por ele, era o armador há tanto tempo esperado ? foi o melhor da partida. O problema é que, lá na frente, Deivid longe demais da área, não levava perigo; enquanto Robinho mal era visto em campo no primeiro tempo. Também decepcionavam Renato e Elano.

Os torcedores santistas sabiam que bastava um lampejo, uma boa jogada para o time marcar o primeiro gol e aí deslanchar na partida. Mas a tal jogada não acontecia e o tempo passava. No início do segundo tempo, Robinho tirou o primeiro, mas não passou pelo segundo; logo em seguida, driblou, chutou, mas Henao defendeu. O gol não saía, mas pelo menos Robinho parecia mais disposto. Aos 6, ele de novo, agora na trave.

Enquanto a bola não entrava, os passes errados eram uma regra, chutes sem sentido algum e muita angústia para a torcida. O jogo era ruim, mas tinha seus momentos de recaída, de bom futebol. Aliás, bem que merecia ter dado certa a jogada de Diego, aos 13. Depois de costurar toda a defesa, Henao saiu bem para bloquear.

A partir dos 20 da etapa final, se era difícil abrir o placar, mais difícil ainda era assistir à partida, de baixíssima qualidade. O Santos era melhor, mas levou o gol de Valentierra, de falta, aos 25. Júlio Sérgio pulou e não alcançou: injusto 1 a 0.

Se fosse na Vila Belmiro, a torcida há muito estaria pedindo mudanças na equipe. O técnico Vanderlei Luxemburgo, no entanto, só mudou aos 31 minutos do segundo tempo. Mudou logo três de uma vez. Tirou o volante Paulo Almeida e pôs Claiton; no ataque, saiu Deivid e entrou Leandro e, no meio, Elano por Lopes. Trocou seis por meia dúzia. Estava mais para o Once Caldas fazer o segundo do que para os santistas empatarem ? e assim levarem a decisão para os pênaltis.

Com a derrota, o Santos deu adeus à competição e à semifinal brasileira na Libertadores. Prosseguem no torneio: Once Caldas x São Paulo e River Plate x Boca Juniors.

Ficha Técnica:

Gols ? Valentierra aos 25 minutos do segundo tempo.

Once Caldas ? Henao; Rojas, Vanegas, Cataño (Ortegon) e García; Velásquez, Viáfara, Valentierra e Soto (Arango); Moreno e Alcazar (Agudelo). Técnico ? L.F. Montoya.

Santos ? Júlio Sérgio; Marco Aurélio, André Luís, Pereira e Paulo César; Paulo Almeida (Lopes), Renato, Elano (Claiton) e Diego; Robinho e Deivid (Leandro). Técnico ? Vanderlei Luxemburgo.

Juiz ? Horacio Elizondo (ARG).

Cartão amarelo ? Vanegas, Diego, Marco Aurélio e André Luís.

Local ? Palogrande, em Manizales.