Passado o momento culminante da ?democracia brasileira?, que na prática só existe uma ou duas vezes a cada dois anos no Brasil (no dia do voto), gostaria de aproveitar este espaço para manifestar minha opinião sobre a obrigatoriedade do voto, tema que só tem vez no período pré-eleitoral, mas que durante as eleições ficou comprovada a necessidade de se mudar o sistema utilizado no Brasil.

Discordo do Oswaldo, um amigo meu, que tentou me convencer de que o voto obrigatório é a única saída para que no Brasil tenhamos eleições que resolvam os problemas do País. Somente um povo que tem liberdade pode fazer a melhor escolha.

A não participação também é uma forma de protestar.

Na minha opinião, a partir do momento que não for obrigatório, o voto terá maior representatividade, pois será uma arma daqueles que têm consciência de sua importância. Afinal, a grande maioria das pessoas que votam hoje, nada mais é que massa de manobra que aceita qualquer coisa que a mídia lhes apresenta (vide o caso Ratinho e seu filho). Quem vai se dispor a ir até a cabine eleitoral são pessoas que se preocupam com o futuro do País.

A grande maioria tem nojo da “politicagem” que toma conta da classe dirigente deste País, e só vai para as filas enfrentar as urnas por medo das ameaças da Justiça Eleitoral.

Nós precisamos ter mais consciência dos nossos deveres como cidadãos. Até parece que o brasileiro esqueceu que vive numa gigantesca comunidade (são mais de 170 milhões de pessoas) e cada um só quer ver o ?seu lado?. Assumir compromissos com a coletividade deveria ser uma obrigação aprendida dentro do lar…

Liberdade não existe se não estiver acompanhada de responsabilidade. Pelo menos esse parece um pressuposto da civilidade. Mas será que existe civilidade em obrigar pessoas a votar? Em todos os lugares citados como exemplos de democracia moderna (Europa Ocidental, EUA, Japão, etc.), o voto é uma opção.

Aqui também deveria ser uma forma de manifestação. Nossa genialidade em protestar foi tolhida com o tal voto eletrônico (aliás, seria interessante saber qual a empresa que ganhou a concorrência para fornecer as tais máquinas/urnas?). Até pouco tempo havia, nos votos nulos, mensagens claras no sentido de que a liberdade vai além de você optar por um dos nomes que se coloca à baila.

As pessoas escreviam a razão pelas quais não estavam satisfeitas com o estado de coisas. Mas, hoje, isso não mais é possível, pois até essa opção de voto de protesto foi deletado em nossa ?democracia? obrigatória.

Qualquer dia volto com outro assunto afim: o dever do cidadão em acompanhar os assuntos do cotidiano de quem realmente deveria tomar conta do dinheiro: o poder legislativo. Por enquanto, até breve.

Márcio Rodrigues

(marcior@pron.com.br) é jornalista e editor-adjunto de Esporte em O Estado.