O New York Times revelou nesta terça-feira, dia 1º, detalhes de uma reunião entre Donald Trump e seus assessores na Casa Branca, em março, na qual o presidente sugere uma forma inusitada de conter o fluxo de imigrantes: atirar nas pernas de quem tenta entra ilegalmente nos EUA. Segundo o relato de várias fontes que participaram da reunião, Trump tinha certeza de que o plano resolveria o problema na fronteira com o México.

Participaram da reunião o secretário de Estado, Mike Pompeo, a então secretária de Segurança Interna, Kirstjen Nielsen, e o chefe de gabinete da Casa Branca, Mick Mulvaney, além do genro Jared Kushner e do assessor para temas de imigração Stephen Miller.

Outra proposta arquitetada pelo presidente era construir um fosso de água na fronteira e colocar crocodilos e cobras para afugentar os imigrantes. Segundo assessores relataram ao New York Times, um orçamento chegou a ser feito para ver quanto o projeto custaria. Eles disseram ainda que Trump queria uma cerca eletrificada com setas no alto que fossem capazes de furar as mãos de quem tentasse escalar a barreira.

Bastante irritado, Trump teria reclamado de seu gabinete. “Vocês estão me fazendo parecer um idiota. Eu disputei a eleição com essa promessa”, dizia o presidente. “O problema com as leis que existem hoje é que a gente pode ter 100 mil soldados mobilizados na fronteira e eles não podem fazer absolutamente nada.”

A reunião na Casa Branca terminou com os assessores de Trump convencendo o presidente americano a dar mais uma semana de prazo antes de determinar o fechamento da fronteira – mais tarde, quando o número de imigrantes diminuiu, a ideia de fechar os postos de fronteira também foi abandonada.

Fluxo recorde

Nos últimos meses, o número de imigrantes da América Central que chegam aos Estados Unidos cresceu. Maio foi o mês de maior fluxo desde 2006, com a prisão de mais de 132 mil pessoas que cruzaram a fronteira sem autorização do governo americano. Segundo dados oficiais, há mais de 436 mil pedidos de asilo em análise no país. (Com agências internacionais).

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.