O secretário de Governo do México, Alejandro Poiré, admitiu hoje que o assassinato de um dos homens mais procurados do país, no domingo passado, aconteceu por acaso. O episódio, que seria uma das maiores vitórias das forças oficiais do país no combate ao narcotráfico, acabou se tornando uma exibição da força dos cartéis, dado que o cadáver do criminoso foi roubado horas depois. 
Poiré também disse hoje que o roubo está sendo investigado.

Inicialmente, a informação era a de que um comboio da Marinha tinha seguido uma pista e achado Heriberto Lazcano, o “Lazca”, em um campo de beisebol na cidade de Sabinas, Estado de Coahuila. O secretário disse, porém, que o encontro ocorreu por acaso. Lazcano tentou fugir em uma camionete, ao lado de um outro homem.

Houve tiroteio, e Lazcano foi morto ainda dentro do veículo, enquanto o segundo homem fugiu correndo por mais alguns metros. Com ele havia um fuzil AR-15 e um lança-granadas, conforme as informações do jornal mexicano “El Universal”.

Os cadáveres foram levados a uma funerária, onde foram fotografados e tiveram as suas impressões digitais tiradas. Mal o trabalho pericial havia terminado, ainda no começo da madrugada de segunda-feira, um grupo de homens armados invadiu o estabelecimento e levou os dois corpos.

Em comunicado, a Secretaria da Marinha afirma que, nas fotografias, o rosto do cadáver tem traços similares aos do traficante. Afirma ainda que, em consulta a uma base de dados, verificou que os dados cadastrais são compatíveis com os de um homônimo. O texto, no entanto, não confirma categoricamente a identificação.

O jornal mexicano “El Universal” já coloca dúvidas sobre a identificação e informa, em seu site, que os dados encontrados por meio das digitais do cadáver não batem com os da DEA, a agência antidrogas dos EUA. Nos registros mexicanos, Lazcano seria dez centímetros mais baixo e um ano mais novo do que nos dos EUA.

Nas declarações feitas hoje, o secretário confirmou a versão oficial de que “não há dúvida” sobre a identificação do cadáver.

Lazcano foi um dos militares do Exército que desertaram nos anos 1990 para fundar o cartel do Golfo. Em 2010, ele e outros deixaram o Golfo para fundar os Zetas. Desde então, os dois cartéis e um terceiro, o de Sinaloa, disputam o controle do tráfico no país. O confronto já matou mais de 60 mil pessoas conforme as estimativas do próprio governo federal.