A Rússia criticou a França, Espanha e Portugal por bloquearem o voo de Moscou para La Paz do presidente boliviano, Evo Morales, devido a suspeitas que o ex-funcionário da CIA e de uma empresa que presta serviços para o governo dos EUA Edward Snowden estava a bordo.

“Dificilmente a ação das autoridades da França, Espanha e Portugal pode ser vista como um passo amigável em relação à Bolívia, ou Rússia”, disse o Ministério das Relações Exteriores russo em um comunicado.

O avião que transportava Morales foi forçado a aterrissar em Viena depois que vários países europeus negaram seus direitos de sobrevoo.

Ao chegar em casa na noite de ontem, Morales instou os países europeus a “libertaram-se do império americano”. O presidente boliviano disse em Moscou, na terça-feira, que a Bolívia iria considerar o pedido de asilo político de Snowden, um comentário que despertou aparentemente o interesse europeu.

Analistas de segurança em Moscou disseram que Morales não poderia ter levado Snowden mesmo se ele quisesse, porque o fugitivo dos EUA está na área de trânsito no aeroporto internacional de Sheremetyevo e não passou pelo controle de passaporte russo.

O avião de Morales partiu de outro aeroporto internacional, localizado na outra extremidade de Moscou e chamado de Vnukovo. O aeroporto é usado principalmente por visitantes dignitários, bem como funcionários do governo russo.

O governo boliviano acusou os países europeus de colocarem a vida de Morales em perigo, um comentário ecoado pelo Ministério das Relações Exteriores da Rússia. “O bloqueio de direitos de voo para a aeronave poderia ter criado uma ameaça à segurança dos passageiros a bordo, incluindo o presidente do país”, disse o ministério.

Snowden não pediu asilo político na Rússia e decisões sobre seu futuro não cabiam à Rússia, disse o vice-ministro das Relações Exteriores russo, Sergei Ryabkov, segundo a agência de notícias Interfax. “Snowden não pediu asilo político até agora. Nós acreditamos que sem a decisão dele de uma forma ou de outra sobre o que ele acredita ser a melhor saída, não podemos decidir nada para ele”, afirmou Ryabkov.

Um funcionário consular da Rússia disse que Snowden pediu asilo. No dia seguinte, ele retirou o pedido após o presidente Vladimir Putin dizer que ele seria autorizado a permanecer na Rússia, mas somente se ele parar de vazar detalhes de programas altamente secretos de vigilância dos EUA.

Depois disso, Snowden enviou pedidos de asilo para 19 países, muitos dos quais rejeitaram a solicitação direta ou deram respostas frias. Só Venezuela e Bolívia sugeriram que eles podem estar dispostos a receber Snowden. Fontes: Associated Press e Dow Jones Newswires.