As ruas de Tóquio trazem poucos indícios de que uma campanha política nacional está em andamento, mas os japoneses se preparam para ir às urnas no domingo e acabar com cinco décadas quase ininterruptas de governo do conservador Partido Liberal Democrático (PLD), legenda do atual primeiro-ministro, Taro Aso. Todas as pesquisas eleitorais indicam uma vitória esmagadora do opositor Partido Democrático do Japão (PDJ), que foi humilhado nas urnas há quatro anos, quando o popular ex-primeiro-ministro Junichiro Koizumi liderou o PLD na conquista da mais ampla maioria parlamentar da história do país.

“Mudar” é o verbo que rege a atual campanha. O sentimento da maioria dos japoneses é o de que o PLD está no poder há muito tempo e não foi capaz de realizar as transformações em áreas cruciais, como previdência social, saúde e educação. Com exceção de um curto período, entre 1993 e 1996, o PLD foi a origem de todos os primeiros-ministros que governaram o Japão desde a fundação do partido, em 1955. Os conservadores eleitores japoneses indicaram que pretendiam adotar um novo caminho político em 2007, quando o oposicionista PDJ saiu vitorioso nas eleições para a Câmara Alta.

No domingo, os japoneses escolherão representantes para as 480 cadeiras da Casa dos Representantes, que tem a atribuição de indicar o premier. A maioria das pesquisas de opinião indica que o PDJ elegerá cerca de 300 parlamentares, o que fará de seu líder, Yukio Hatoyama, o sucessor de Taro Aso.