Milhões de crianças residentes em cidades de todo o mundo vivem em condições de pobreza e pobreza extrema, e têm negado o acesso a direitos elementares como educação e saúde, alerta o estudo “Pobreza e exclusão de meninos e meninas das cidades”, feito pelo centro de pesquisas Innocenti da Unicef italiana.

O relatório indica que muitas crianças dos centros urbanos sofrem pobreza crônica e são marginalizadas. “Muitas delas passam seus dias escavando nos lixos, procurando desesperadamente algo para vender, e passam suas noites nas ruas, onde enfrentam os riscos da violência e a exploração”.

Segundo o estudo, durante o século XX a população urbana cresceu mais de dez vezes, e o tamanho médio das cem maiores cidades aumentou em mais de oito vezes. Assim, a proporção de habitantes em áreas urbanas subiu de menos de 15% em 1900 a 48% no ano passado.

“É muito provável que essa tendência continue”, diz o trabalho, destacando que em 2002 cerca de um bilhão de crianças já habitavam áreas urbanas, o que representa perto da metade de toda a população infantil do mundo. “Mais de 80% das crianças vivem em países da África, Ásia e América Latina, e a quantidade cresce aceleradamente”, adverte o documento.

Reforçando o estudo divulgado em Florença, o Escritório Regional para a América Latina e Caribe da Unicef assinalou que mais de 50% das crianças da região são pobres, acrescentando que em 1999 a proporção de crianças de 0 a 12 anos em situação de pobreza era de 59%, abrangendo 51% dos menores nas cidades e 80% nas áreas rurais.

O relatório do centro de pesquisas Innocenti descarta ainda a idéia de que as crianças das cidades vivem em condições melhores que as das zonas rurais. “Acredita-se que são mais saudáveis, vivem em moradias melhores, recebem melhor educação e têm possibilidade de acesso a uma ampla gama de serviços e oportunidades, mas a realidade mostra o oposto”, denuncia o estudo.