O Alto Comissariado da Organização das Nações Unidas para Refugiados (Acnur) informou hoje que milhares de líbios fugiram de suas casas no leste do país. “Os funcionários do Acnur na fronteira do Egito com a Líbia são informados pelos líbios que chegam que milhares de pessoas estão desalojadas no leste do país e que elas se refugiam em casas de conhecidos, escolas e saguões de universidades”, disse Adrian Edwards, porta-voz do Acnur. “Líbios na fronteira com o Egito disseram ao Acnur que temem ataques de represália de partidários do governo nas partes leste do país.”

Na semana passada foi relatado o deslocamento de pessoas nas cidades de Tobruk, Derna, bem como em Ajdabiya, que foi palco de um forte confronto entre forças rebeldes e do governo no início da semana passada. “Eles disseram que as pessoas têm medo de sair após as 16 horas. Algumas tiveram suas casas completamente destruídas”, disse Edwards.

O Acnur descreveu a situação na fronteira com o do Egito como “relativamente tranquila”, com cerca de 400 carros cruzando o local ontem a partir da Líbia. O número de pessoas cruzando a fronteira aumentou no final de semana para cerca de três mil apenas no domingo, dentre elas 1.560 refugiados líbios, segundo autoridades egípcias citadas pelo Acnur.

Benghazi, a principal cidade tomada pelos rebeldes no leste da Líbia, foi atacada no sábado por forças leais ao líder Muamar Kadafi. Agências de ajuda humanitária se prepararam para um êxodo de refugiados na Líbia se as forças de Kadafi avançarem mais para o leste.

Cerca de 328 mil pessoas, a maioria trabalhadores imigrantes, fugiram para a Líbia no último mês, segundo a Organização Internacional de Migração (OIM, pela sigla em inglês). Mais pessoas também chegaram ao Níger. Cerca de 4.900 africanos chegaram à cidade de Dirkou entre 17 e 20 de março, elevando o total para 9.750 pessoas desde o início da violência na Líbia no mês passado. As informações são da Dow Jones.