Orgulharam-se dos homicídios cometidos, aderindo “por convicção ideológica ou por motivos de carreira aos desígnios criminosos do regime ditatorial em cujo âmbito foram planejados os homicídios, com desprezo a qualquer consideração pela dor provocada” nas vítimas e em suas famílias.

Assim, o Tribunal de Roma define as motivações, depositadas em juízo nesta quinta-feira (24), que o levaram a confirmar, em 24 de abril, a condenação à prisão perpetua de alguns oficiais argentinos, emitida em primeira instância, em 14 de março de 2007, no processo relacionado aos desaparecidos argentinos, vitimas da ditadura militar.

Foram condenados à prisão perpétua os oficiais argentinos Eduardo Jorge Acosta, Ignácio Alfredo Astiz, Raul Jorge Vildoza e Antônio Vanek, pelas mortes de três ítalo-argentinos, Angela Maria Aieta, Giovanni e Susanna Pegoraro, ocorridas na Escola Superior de Mecânica da Armada (Esma) de Buenos Aires, entre 1976 e 1977, durante os anos da ditadura.

Para os juízes, os testemunhos obtidos são mais que suficientes para considerar que os réus eram “plenamente conscientes do projeto de ‘aniquilação’ no interior da estrutura onde colaboravam como funcionários de comando”.

Sobre o oficial Ignácio Alfredo Ortiz, os juízes apontam nas motivações para confirmar a condenação também “o orgulho com o qual contava aos prisioneiros sobre o sistema dos vôos da morte”, através dos quais os prisioneiros da ditadura argentina eram sedados e levados em aviões para serem jogados, ainda inconscientes, sobre o rio da Prata.