O Japão afirmou hoje que a crise nuclear em Fukushima, gerada por um terremoto e um tsunami em 11 de março, é “diferente em sua natureza” do desastre em Chernobyl, na Ucrânia, ocorrido há exatos 25 anos.

O governo do Japão classificou o desastre na usina Daiichi, em Fukushima, como de nível 7, o máximo em uma escala internacional. A mesma classificação é dada ao acidente de Chernobyl, mas Tóquio ressalta que o seu problema é menos sério.

“Está claro que os dois casos são diferentes em sua natureza”, disse o principal porta-voz do governo, o ministro Yukio Edano. Segundo ele, o material radioativo lançado pelo acidente na usina Daiichi foi de aproximadamente um décimo do lançado por Chernobyl. Além disso, no caso japonês não houve explosão de um reator.

Edano disse que o Japão conseguiu tirar algumas lições de como se lidou com a crise em Chernobyl. No caso japonês, o problema principal foi a paralisação dos sistemas de resfriamento de alguns reatores, após o terremoto e o tsunami. O porta-voz citou, por exemplo, as ordens para retirada de pessoas da zona próxima à usina, em um raio de 20 quilômetros.

Até o momento, ninguém morreu pela radiação no Japão. No caso de Chernobyl, morreram dois trabalhadores logo após as explosões, e 28 outros morreram nos meses seguintes, pela exposição à radiação. Há controvérsia sobre o número de mortes diretamente causadas pelo desastre de Chernobyl, com as estimativas variando de algumas dezenas a dezenas de milhares.

No Japão, a proprietária da usina, Tokyo Electric Power (Tepco), afirmou que pretende controlar e estabilizar totalmente os seis reatores da usina Daiichi entre outubro e janeiro.

Hoje, a Tepco enviou dois robôs para examinar áreas no entorno do reator 1. A radiação deixada pelas explosões impede a entrada de humanos nesse local. Equipes de emergência já injetaram gás nitrogênio no reator 1, para evitar uma explosão.

Também hoje, centenas de fazendeiros de Fukushima protestaram na sede da Tepco em Tóquio. Eles levaram vegetais, leite e até duas vacas afetadas pela crise nuclear. Os manifestantes exigem compensação da empresa e querem suas casas de volta. Um funcionário da companhia foi até a rua e pediu desculpas pelos “grandes problemas”, mas não deu detalhes sobre as indenizações.

Política

O primeiro-ministro japonês, Naoto Kan, enfrenta mais pressão por sua renúncia. Mais de 60 parlamentares do Partido Democrático do Japão (PDJ), do próprio Kan, reuniram-se para lançar uma nova campanha pela renúncia do premiê, que assumiu em junho passado. O ex-primeiro-ministro Yukio Hatoyama, também do PDJ, convocou uma reunião com os parlamentares de todos os partidos para discutir o tema.

A imprensa japonesa informou que importantes membros de uma facção rebelde do PDJ esperam apresentar uma moção para retirar Kan da chefia do partido, e com isso do posto de primeiro-ministro, mas ele se recusa a deixar o cargo. Para vários dos políticos do Japão, a resposta de Kan à crise nuclear foi insatisfatória. As informações são da Dow Jones.