O nível médio do mar em Macaé, no norte fluminense, subiu surpreendentes 15 centímetros em quatro anos. Em Santa Catarina, na cidade de Imbituba, houve uma variação de 1 centímetro no mesmo período: dezembro de 2002 a dezembro de 2006, segundo estudo divulgado ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

No litoral catarinense, o aumento de 2,5 milímetros por ano confirma as previsões internacionais relacionadas ao aquecimento global. Em Macaé, a variação de 37 milímetros por ano é uma incógnita: afinal, o mar subiu ou a terra desceu.

Para o IBGE, o aumento é resultado de efeitos locais que ainda serão investigados. ?Em Macaé, fica claro que o resultado independe do aquecimento global. Existem várias hipóteses e uma muito forte é a de que tenha ocorrido por questões geológicas, de acomodação de camadas do solo?, afirmou Claudia Lellis, da Rede Maregráfica Permanente para Geodésia (RMPG), do IBGE.

Os técnicos pretendem instalar até setembro, na estação de Macaé um equipamento de GPS para fazer o controle da movimentação na terra. Para um resultado confiável, porém, são necessários pelo menos mais dois anos de observação. ?Hoje não sabemos se é uma variação no mar ou na terra. Há uma suspeita de que deva ser a movimentação da crosta, mas pode ser do píer da estação ou outra coisa?, afirmou o engenheiro cartógrafo Luiz Paulo Souto Fortes, assessor da diretoria de Geociências do IBGE.