O ex-secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU) Kofi Annan advertiu nesta terça-feira (22) que a fome severa resultante da crise de alimentos mundial poderia gerar vários outros protestos em nações em desenvolvimento. Segundo ele, o aumento no preço da comida deixou muitas pessoas em condição desesperadora. "Nós estamos passando por uma crise muito séria e veremos muitas greves e protestos por causa de comida", disse Annan. O custo da comida subiu 40% no mundo, em média, desde o meio de 2007.

Em vários países, como Camarões, Burkina Faso, Haiti e Egito, já houve protestos e confrontos relacionados ao tema. "A situação não mudará até que o sistema de produção se ajuste ao aumento de preços", disse Annan, em Genebra. No Haiti, os conflitos envolvendo o aumento do custo dos alimentos levaram à queda do primeiro-ministro Jacques Edouard Alexis. Centenas de haitianos receberam ajuda das Nações Unidas e de outras entidades regionais.

Para Annan, a utilização das safras para a produção de biocombustíveis também dificulta que os pobres possam comprar cereais e carne. "Para os que gastam 60%, 70%, 80% de seus salários com comida, isso é um problema muito sério", disse Annan. Para ele, no longo prazo a demanda se ajustaria, mas "nesse meio tempo, temos que alimentar milhões que não podem bancar sua própria alimentação".