Eles fogem da fome, de doenças e da morte. Hoje, formam uma comunidade de mais de 3,7 milhões de expatriados tentando refazer a vida fora da Venezuela, enquanto o país entra em colapso. O número do Acnur, agência da ONU para refugiados, mostra como a crise venezuelana tornou-se também demográfica: a população encolheu 11,9% no total e quase 10% nos últimos quatro anos.

São pais tentando salvar os filhos doentes, médicos que receberam ameaças de morte e até ex-funcionários de estatais ameaçados que decidem cruzar a fronteira. As histórias se repetem e as saídas chegam a 5 mil por dia, segundo dados atualizados do Acnur até fevereiro.

A agência da ONU declarou nesta terça-feira, 21, que, em razão do agravamento da situação política, econômica, de direitos humanos e humanitária na Venezuela, a maioria dos que fogem do país precisa de proteção internacional como refugiados e ajuda para refazer e salvar sua vida. A agência pediu que outros países evitem recorrer a deportações.

Dos 3,7 milhões de venezuelanos registrados atualmente no exterior, apenas 700 mil emigraram antes de 2015, quando a crise começou a se intensificar na Venezuela. Mais de 1,4 milhão de pessoas receberam autorização de residência, vistos, de caráter humanitário ou de trabalho, para se estabelecer legalmente em países latino-americanos, incluindo o Brasil.

Os números de asilo são uma amostra da situação caótica. Em 2015, o número de pedidos foi de 10,2 mil. No fim do ano passado, 464 mil fizeram o pedido. Segundo a ONU, a maioria dos pedidos é feita em países vizinhos. De acordo com a agência, muitos outros conseguiram obter outros tipos de vistos que permitem aos venezuelanos frequentar escolas, sistemas públicos de saúde e trabalhar.

No entanto, muitos ainda permanecem em situação irregular e sem acesso fácil à segurança. A maioria, afirma a Acnur, não poderá retornar à Venezuela tão cedo.

O grande êxodo de venezuelanos que fogem da crise econômica é um dos mais importantes deslocamentos de pessoas na história recente da região. O número de refugiados da Venezuela se compara, e muitas vezes ultrapassa, ao de países em conflito aberto, como Mianmar e Afeganistão.

“Essa situação ocorre em razão das ameaças que pesam sobre a vida, a segurança e a liberdade (dos venezuelanos), e pelas circunstâncias que afetam seriamente a ordem pública na Venezuela”, explicou a porta-voz do Acnur em Genebra, Liz Throssel. “Cerca de 3 milhões de pessoas deixaram o país desde 2015.”

Na Venezuela, a crise econômica faz com que cerca de 90% das pessoas vivam na pobreza. A inflação atingirá 10.000.000% neste ano, segundo o Fundo Monetário Internacional. Com o salário mínimo em torno de US$ 5 (R$ 20), a maioria das pessoas tem dificuldades de pagar por uma dúzia de ovos ou por um simples saco de arroz. (Com agências internacionais).

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.