O ucraniano John Demjanjuk, de 91 anos, foi condenado hoje a cinco anos de prisão, ao ser responsabilizado por milhares de assassinatos em um campo de concentração nazista na Segunda Guerra. Após decisão inédita da justiça alemã, Demjanjuk foi acusado em 28.060 quesitos por contribuir para homicídios, um para cada pessoa que morreu durante o período em que ele foi acusado de ser um guarda no campo de concentração de Sobibor, na Polônia ocupada pelos nazistas.

Não havia evidências de um crime específico cometido por ele. A promotoria se baseou na teoria de que, se Demjanjuk estava no campo, estava envolvido nos homicídios. Esta foi a primeira vez que esse argumento legal foi usado em tribunais alemães. Não está claro, porém, quanto tempo da pena pode ser descontado, já que o réu de 91 anos já estava detido.

“O tribunal está convencido de que o réu trabalhou como guarda em Sobibor de 27 de maio de 1943 até o meio de setembro de 1943”, afirmou o principal juiz no caso, Ralph Alt. Demjanjuk estava em uma cadeira de rodas em frente aos juízes quando o veredicto foi anunciado, mas não mostrou reação. Mais cedo, ele recusou a oportunidade de fazer uma última declaração.

Nos anos 1980, Demjanjuk foi julgado em Israel, após ser acusado de ser o notoriamente brutal guarda conhecido como “Ivã, o Terrível”, no campo de concentração de Treblinka. Ele foi condenado, sentenciado à morte, depois libertado, pois evidências mostraram que ele havia sido identificado incorretamente.

O veredicto de hoje na Alemanha, porém, não encerrou totalmente a batalha legal de três décadas. A defesa disse que apelaria de qualquer condenação, e há ainda um processo em andamento nos EUA. Demjanjuk afirma ter sido uma vítima do nazismo, sendo primeiro ferido quando era um soldado soviético lutando contra forças alemãs, então capturado e mantido como prisioneiro de guerra sob condições brutais até entrar no Exército Vlasov, uma força anticomunismo de prisioneiros de guerra soviéticos e outros, formada para combater com os alemães contra os soviéticos nos meses finais da guerra. As informações são da Associated Press.