Os Estados Unidos anunciaram ontem que vão suspender, em Honduras, a emissão de vistos de turistas. Os vistos só serão concedidos para imigrantes e casos de emergência. Trata-se de uma medida de pressão para que o governo de facto de Roberto Micheletti aceite o plano proposto pelo presidente da Costa Rica, Oscar Arias, cujo ponto principal é o retorno do presidente deposto, Manuel Zelaya, ao poder. Mas a medida foi considerada “insuficiente” por fontes da Organização dos Estados Americanos (OEA).

“Foi para inglês ver”, disse uma fonte da OEA. “Os EUA precisam adotar medidas mais eficazes, como bloquear o envio de remessas de hondurenhos, tirar seu embaixador de Tegucigalpa ou suspender as preferências tarifárias’, disse a fonte. Mas os norte-americanos nem sequer classificam o golpe em Honduras como um “golpe militar”. Essa denominação obrigaria os EUA a suspender boa parte da ajuda financeira a Honduras, por determinação legal.

“Estamos examinando a cronologia dos fatos, uma vez que houve envolvimento de civis e do Judiciário. Não sabemos se podemos caracterizar como um golpe militar”, disse um alto funcionário do Departamento de Estado, que afastou a possibilidade de os EUA suspenderem as preferências tarifárias. “A natureza do acordo de livre comércio do Caribe (Cafta) nos impede de fazer isso”, afirmou a fonte. Por enquanto, os EUA cortaram US$ 36 milhões em ajuda financeira ao país, sendo US$ 18 milhões em apoio militar.