A tensão que o governo da presidente da Argentina, Cristina Kirchner, mantém com o setor agropecuário está levando os produtores a plantar uma área menor de trigo para a safra 2008/2009, fato que complicaria ainda mais o fornecimento do cereal argentino para o Brasil. A previsão é que a área plantada seja 5% menor em relação ao ano passado, segundo reportagem publicada nesta segunda-feira (29) no principal jornal do país, o Clarín, citando um relatório da Embaixada dos Estados Unidos em Buenos Aires.

A colheita argentina pode cair 770 mil toneladas em relação aos 15,4 milhões da última safra. Mas o cenário pode ser pior se o conflito entre governo e produtores se agravar. O relatório elaborado pelo adido agrícola da embaixada americana, David Mergen, indica que ?alguns analistas estão estimando uma queda de 15% a 20% em relação ao ano anterior?.

O impacto de uma colheita menor será amplo. Por um lado, provocará alta do preço, o que vai irritar o governo Cristina, que tenta impedir a escalada inflacionária. Desde dezembro, as exportações de trigo estão proibidas, para forçar a queda do preço para os consumidores argentinos. O mercado brasileiro foi afetado por essa restrição, já que, do total de 10,25 milhões de toneladas de trigo que consome em média por ano, importa 6,6 milhões de toneladas. Dessas, 5,63 milhões de toneladas, ou 85 5%, foram importadas da Argentina em 2007. Na semana passada, o governo Cristina disse que é impossível estimar quando as vendas de trigo ao Brasil serão regularizadas.