O ataque suicida com carro-bomba que matou pelo menos seis pessoas na capital da Somália nesta quinta-feira teve como alvo, aparentemente, um comboio de representantes da Turquia, que está na cidade antes da visita do presidente do país, afirmou a polícia.

O atentado ocorreu um dia antes de o presidente turco Recep Tayyip Erdogan visitar o turbulento país do leste africano. A Turquia tem investido pesadamente em infraestrutura na Somália, apostando que os projetos poderão ajudar a orientar uma reviravolta econômica no país.

O grupo militante al-Shabaab assumiu a responsabilidade pelo atentado. Ali Mohamud Rage, porta-voz do grupo, disse que o alvo da ação foi especificamente as autoridades turcas.

Um carro cheio de explosivos atingiu um comboio que transportava funcionários do Ministério de Relações Exteriores da Turquia por volta das 14h45 (horário local), segundo o porta-voz da polícia somali, coronel Qasim Roble. Ele disse que cinco policiais somalis, um civil e o homem que realizou o ataque foram mortos. Nenhum cidadão turco está entre as vítimas, disse ele.

O ataque aconteceu no portão frontal de um novo hotel chamado SYL, localizado perto do complexo presidencial, que abriga vários ministros do governo somali e diplomatas estrangeiros que visitam o país, dentre eles integrantes da delegação turca que está em Mogadiscio. O presidente turco deve visitar o local na sexta-feira.

“Foi um ataque bárbaro, mas não vai nos assustar e nos impedir de seguir em frente”, disse o primeiro-ministro somali Omar Abdirashid, após visitar o local do atentado.

Falando durante o Fórum Econômico Mundial em Davos, o primeiro-ministro turco Ahmet Davutoglu disse que Ancara investiga se a explosão foi um ataque deliberado aos interesses do país, mas afirmou que Erdogan vai manter seus planos de visitar a capital somali. Um funcionário da presidência turca disse que não vai divulgar detalhes sobre o programa da visita de Erdogan por razões de segurança. Erdogan está na Etiópia, dando início a uma visita de três dias pela região conhecida como Chifre da África.

“Não está claro se o alvo era ou não nós”, disse Davutoglu. “Quando nós visitamos (a Somália), a situação era muito difícil, mas estamos determinados a permanecer comprometidos com a África apesar dos riscos.”

Erdogan tornou-se o primeiro líder não africano a visitar a Somália em quase duas décadas quando viajou para o país em 2011. Fonte: Dow Jones Newswires.