Enquanto Lula e Geraldo Alckmin se enfrentavam no primeiro debate para o 2º turno da eleição presidencial, ontem à noite, na TV Bandeirantes, por trás das câmeras os marqueteiros Luiz Gonzales, do lado do tucano, e João Santana – do petista – protagonizaram um duelo silencioso. A cada intervalo, os dois municiavam os candidatos com informações passadas em bilhetes por aliados na platéia.

Santana e o coordenador da campanha, Marco Aurélio Garcia, eram abastecidos por recados passados pelos ministros, entre eles Tarso Genro, Dilma Rousseff e Márcio Thomaz Bastos. Gonzales recebia recados do líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio, e do deputado Carlos Sampaio, da CPI das Sanguessugas. O senador Tasso Jereissati, presidente do PSDB, e o coordenador da campanha, Sérgio Guerra, também transmitiam dados para Alckmin.

Fora do prédio, petistas empunhavam bandeiras . O palanque na porta da Band teve a ex-prefeita Marta Suplicy e o senador Eduardo Suplicy. Dois telões faziam a transmissão do debate. Cerca de 500 cabos eleitorais vieram em ônibus e Kombis fretados pelo PT ou bancado pelos próprios militantes.

A uma quadra dali, 30 militantes do PSDB protestavam. ?Nós viemos por conta própria e ouvimos que o pessoal do PT foi pago? contou a bióloga Eliana Maria de Oliveira Pereira e Almeida. Os tucanos reclamaram da falta de telão para eles. Meia hora antes do início do debate, já deixavam o local. ?Com eles (os petistas) não dá para assistir. Passamos em frente e fomos hostilizados, xingados. Aí a polícia nos mandou pra cá?, disse o professor Felício Naia.