O ministro do Trabalho, Luiz Marinho, afirmou nesta terça-feira (19) que espera para o ano que vem a continuidade da oferta de novas vagas formais no mercado de trabalho brasileiro. Sem fazer projeções de números sobre a criação de novos empregos em 2007, o ministro comentou que aposta no bom desempenho de setores como a construção civil e aqueles ligados à infra-estrutura.

"Estamos trabalhando em medidas que vão destravar a economia, especialmente com o incentivo a investimentos em áreas importantes da infra-estrutura como saneamento", afirmou o ministro, ao se referir ao pacote de medidas que está sendo definido dentro do governo e que deverá ser anunciado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva na próxima quinta-feira.

Marinho aproveitou para rebater críticas de que durante os quatro anos de governo Lula cresceu apenas a oferta de empregos formais com baixos salários. "Essas afirmações não se baseiam nas estatísticas porque os registros do Caged mostram que o mercado de trabalho está agregando novas vagas em todas as faixas de rendimentos", afirmou Marinho.

Ele apresentou dados levantados pela área técnica de seu Ministério referente ao período de 1999 a 2005 para comprovar a afirmação. Na faixa de trabalhadores que ganham até três salários mínimos, o número passou de 15,3 milhões para 21,3 milhões, uma alta de 39%. Na faixa de cinco a 10 mínimos, houve crescimento de 18% no número de trabalhadores. Já entre 10 e 20 mínimos, o aumento foi de 16%. "É natural que o crescimento seja maior entre os trabalhadores com renda mais baixa porque as empresas em processo de expansão buscam ampliar primeiro essa faixa", comentou o ministro.

Salário mínimo

Marinho afirmou hoje que o rumo da nova rodada de negociação entre o governo e as centrais sindicais sobre o novo valor do salário mínimo "ainda depende de uma orientação do presidente Lula", que será dada ao longo desta tarde. "Por isso, não posso antecipar nada agora, mas espero que possamos encaminhar bem a negociação hoje à noite", comentou Marinho.

Está marcada para as 20 horas de hoje mais uma reunião entre representantes das centrais e o ministro Luiz Marinho e o ministro da Previdência Social, Nelson Machado, para tentar chegar a um acordo sobre o novo valor. O projeto orçamentário de 2007 prevê um valor de R$ 375, enquanto as centrais reivindicam R$ 420. Por causa da revisão para baixo do crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), no entanto, a área econômica tem defendido um valor de R$ 367.

Segundo Marinho, a intenção é fechar logo um acordo para que o relator da proposta no Congresso, senador Waldir Raupp, possa apresentar o novo valor em seu relatório final que o Congresso pretende votar ainda esta semana. "Queremos liberar logo o relator, apesar de ter ouvido hoje que não se descarta no Congresso a possibilidade de adiar para a semana que vem a votação do orçamento", comentou Marinho.