O empresário Marcos Valério negou ter ido a Portugal representando o governo brasileiro. "Não me apresentei como representante do governo brasileiro ou embaixador da corrupção como as pessoas gostariam de me rotular", disse, em depoimento a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) sobre compra de votos.

O empresário contou que chegou a ir mais de uma vez a Portugal, mas sempre para tratar de interesses das suas empresas de publicidade. Valério disse que queria garantir a continuidade da conta de publicidade de sua agência com a Telemig Celular. À época, havia a possibilidade de que a Portugal Telecom comprasse participações na Telemig.

O deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ) afirma que o deputado José Dirceu (PT-SP), quando ministro-chefe da Casa Civil, teria intermediado uma reunião de Valério com a empresa Portugal Telecom. O objetivo seria garantir verbas para quitar as dívidas do PTB e do PT. E, segundo Jefferson, Valério teria viajado como representante do governo brasileiro.

Valério confirmou que esteve em Portugal no início do ano com o tesoureiro do PTB, Emerson Palmieri, mas negou as acusações de Jefferson. Segundo ele, Palmieri não teria participado de nenhuma reunião e o acompanhou para fugir de pressões que estava sofrendo pelo deputado e então presidente do partido, Roberto Jefferson. "Tinha intimidade com ele (Palmieri) a ponto dele me contar que estava sofrendo pressão de Roberto Jefferson", disse.

Segundo Valério, o deputado queria que Palmieri fosse buscar um dinheiro que o genro de Jefferson havia conseguido no Instituto de Resseguros do Brasil (IRB). No entanto, segundo Valério, Palmieri não queria ir e resolveu viajar com o empresário.