Os líderes governistas na Câmara decidiram em reunião que vão enfrentar as votações das medidas provisórias que estão trancando a pauta do plenário. A intenção é votar as dez MPs até amanhã e destrancar a pauta dos trabalhos da Casa.

Os líderes aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva esperam reverter a derrota do governo na votação em junho na qual foi aprovado o índice de 16,67% para as aposentadorias acima de um salário mínimo pagas pela Previdência Social, o que obrigou que Lula vetasse o aumento. O terceiro item da pauta é a MP que fixa em 5,01% esse reajuste, mas o PFL já anunciou que insistirá em votar a proposta com o índice maior. "Acabado esse sentimento eleitoreiro, espero que as pessoas votem com a razão. Temos de mostrar a questão da responsabilidade e vencer a demagogia e promessa eleitoreira", afirmou o líder do PSB na Câmara, Alexandre Cardoso (RJ).

Não há ainda segurança entre os líderes da base de aprovação da MP como quer o presidente Lula. Os aliados não sabem ainda identificar como os deputados derrotados vão se comportar na votação. Há a desconfiança de que alguns queiram atribuir ao governo sua derrota nas eleições e votar contra a MP que fixou o índice de 5,01%.

Os partidos, no entanto, vão procurar demonstrar lealdade ao governo no momento em que Lula está compondo o seu ministério para o segundo mandato para ter maior força de pressão na divisão dos cargos.

O líder do governo na Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), afirmou que a vitória na votação da MP vai depender muito do quórum da sessão. "Temos de votar a MP como o governo propõe, mas não dá para saber ainda com que segurança", avaliou Chinaglia. "Não podemos aceitar que deputados da base votem com a oposição em uma matéria como essa", disse o líder do governo.

Além do índice de reajuste, os aliados estão tentando modificar o texto do relator da MP dos aposentados, Armando Monteiro (PTB-PE). De acordo com os líderes, Monteiro, que é ligado ao setor empresarial, retirou do texto da MP original o dispositivo que facilitava a obtenção de auxílio-doença pelo trabalhador, transferindo à empresa a responsabilidade de buscar provas se tiver em desacordo com a decisão do INSS nesses casos.