Os clubes ameaçados pelo rebaixamento no Campeonato Brasileiro podem receber uma boa notícia nos próximos dias. O volante Carlos Alberto, do Figueirense, terá de dar explicações à Justiça esportiva se forjou ou não a idade. Ele está ameaçado de ser suspenso do futebol por até dois anos. E, caso a culpa do jogador seja comprovada e seu clube tenha participado do ato ilícito, o time catarinense poderá perder até 36 pontos na tabela de classificação.

O procurador do STJD Paulo Schmitt pediu nesta terça-feira (7) indiciamento de Carlos Alberto, por causa de falsificação de documentos. O volante foi acusado de ter adulterado sua idade para menos, ato conhecido no futebol como "gato".

"A questão é delicada. Acho que todos foram surpreendidos com a notícia. Se essas informações se confirmarem e tiverem provas irrefutáveis da adulteração do documento público, como carteira de identidade e certidão de nascimento, o atleta já estaria incurso no art. 234, parágrafo primeiro", afirmou o procurador do STJD. "Não importa se ele falsificou ou se somente utilizou o documento falsificado.

Na documentação apresentada pelo Figueirense ao Departamento de Registro da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) consta que Carlos Alberto nasceu em 24 de janeiro de 1983 e teria 23 anos. Mas o jogador possui uma certidão de nascimento com a data de 24 de janeiro de 1978 – portanto, sua idade real seria de 28 anos.

Pelo Código Brasileiro de Justiça Desportiva (CBJD), um atleta pode ser punido com uma suspensão entre 180 e 720 dias pelo crime de falsificação de documentos ou omissão de declaração. Já o Figueirense, se houver comprovação de que teve participação no episódio, perderá o dobro do número de pontos equivalente a uma vitória nas partidas disputadas 30 dias antes do conhecimento do ato ilícito e que contaram com a participação de Carlos Alberto.

Como o fato se tornou público nesta terça-feira, a data a ser contada é o dia 7 de outubro. A partir dela, o Figueirense disputou seis partidas pelo Campeonato Brasileiro com a presença de Carlos Alberto. Nesse caso, se o jogador for punido e o clube considerado cúmplice, perderia 36 pontos na classificação, o que determinaria o seu rebaixamento e ajudaria clubes como Palmeiras e Fluminense, que estão correndo sério risco de cair.

"Também de uma forma condicionada seria precipitado adiantar qualquer juízo de valor sobre a responsabilização do clube. Mas não diria que é uma hipótese totalmente descartada a aplicação do artigo que versa sobre a utilização de atleta em condição irregular, que prevê a perda de pontos", avisou o procurador do STJD. "Por isso, não vou adiantar se o Figueirense pode ou não perder pontos.