O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) manteve a projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 3,4% para 2006 – abaixo das apostas de 4% do governo – e reduziu a previsão da inflação deste ano para o centro da meta (4,5%). O Ipea alerta que, para crescer a taxas mais robustas (de 4% a 5% ao ano), é preciso aumentar investimentos. Para o instituto, a redução do uso da capacidade da indústria abre espaço para longo processo de redução dos juros.

"Não descartaria um crescimento que possa chegar a 4%, mas acredito que será mais perto dos 3,5%", disse o coordenador do Grupo de Acompanhamento Conjuntural (GAC) do Ipea, Fábio Giambiagi. Ele afirmou que a economia este ano não contará com um efeito estatístico favorável, chamado "carry over", que representa um carregamento do impulso do ano anterior, como ocorreu de 2003 para 2004. Mas, no fim de 2005, a atividade estava mais fraca.

Hoje, o presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Guido Mantega, afirmou em palestra em Londres que o País pode crescer 4% este ano. Já o ministro da Fazenda, Antonio Palocci, também em visita a Londres, indicou que este ano será parecido com o de 2004, quando o PIB avançou 4 9%, mas ele não quis cravar uma projeção. Na média, as projeções de mercado indicam crescimento de 3,5% em 2006.

A previsão de expansão do PIB foi mantida porque, segundo o diretor de macroeconomia do Ipea, Paulo Levy, o cenário traçado em dezembro "vem se materializando como previsto". O Ipea, no entanto, reduziu a previsão de crescimento dos investimentos de 7% para 5,8%, por considerar que a construção não avançará tanto quanto o esperado. Além disso, o instituto aumentou um pouco a estimativa de consumo privado (de 4,6% para 4,8%) e reduziu a estimativa para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 4,8% para 4,5%. O consumo das famílias dará a maior contribuição (2,7 pontos porcentuais) para o crescimento do PIB em 2006. De forma geral, as projeções do instituto ficaram muito próximas das divulgadas no boletim anterior.

Potencial

Segundo o instituto, a economia hoje está "aparelhada para crescer apenas a uma taxa média de 3,5% a 4% ao ano" e o principal desafio é chegar a um ritmo de expansão entre 4% e 5%. Para isso, será preciso ampliar a taxa de investimento, estimada em 20% do PIB no ano passado. Para crescer 4%, a taxa de investimentos teria de ficar entre 22,5% e 24%. Já para avançar 5% a taxa necessária seria entre 25% e 27% do PIB, calcula o Ipea. O instituto avalia, entretanto, que a taxa de investimentos de 2006 ficará em 20,4%.

Giambiagi disse que houve uma redução do uso da capacidade instalada da indústria no ano passado, o que permite um crescimento equilibrado, sem o risco de pressões inflacionárias de curto prazo. Isso, segundo o economista, dá maior liberdade ao Banco Central (BC) para um processo mais longo de redução de juros. O Ipea projeta que a taxa Selic chegará o último trimestre na faixa de 15,7%.

Exportações

A projeção de câmbio para o fim do ano caiu de R$ 2,42 para R$ 2,25. Apesar disso, o Ipea ampliou a previsão de exportações de US$ 123,4 bilhões para US$ 129,7 bilhões e a de superávit passou de US$ 35,8 bilhões para US$ 41 8 bilhões. Outras entidades, como a Fundação Centro de Estudos do Comércio Exterior (Funcex), já vinham trabalhando com estimativas de saldo na casa dos US$ 40 bilhões. O Ipea argumenta que a maior parte do crescimento vai decorrer de aumentos de preços e cotações.