A taxa de inflação deverá fechar o próximo ano perto do teto da meta, com o IPCA registrando uma variação em torno de 6,5%. A previsão é do professor de economia da USP e coordenador de Preços da Fipe, Heron do Carmo. A meta acertada com o Fundo Monetário Internacional (FMI), na última revisão do acordo que ofereceu US$ 30 bilhões para o País, subiu de 3,5% para 4% e a margem de variação permitida subiu de 2 para 2,5 pontos porcentuais, com a inflação podendo atingir o teto de 6,5% a que Heron se refere.

O IPC-Fipe, coordenado por ele e que mede a inflação na cidade de São Paulo, também deverá fechar neste nível, com a possibilidade de ficar até um ponto porcentual abaixo do IPCA. Segundo Heron, longe de distorções como as ocorridas este ano, a tendência é de os indicadores se convergirem no decorrer do ano.

De acordo com o economista da Fipe, não dá para extrapolar o cenário atual da inflação para frente. “Até porque as projeções de inflação das instituições econômicas estão significativamente contaminadas pelo momento atual”, diz, acrescentando que o mais sensato seria o mercado se manter em compasso de espera antes de afirmar que a inflação do próximo ano vai superar os dois dígitos.

A inflação medida pelo IPC-Fipe na capital paulista em novembro, de 2,65%, já mostra que o mercado não está caminhando na direção correta ao prever o caos inflacionário, segundo Heron. ?Dos 2,65% de inflação registrados em novembro, 1,94 ponto porcentual foi explicado por alimentação, gás de cozinha, gasolina e álcool combustível. É uma pressão basicamente de câmbio e preços administrados restrita a um conjunto de itens?, pondera. ?É bom que se explique isso porque tem muita especulação com relação à existência de altas nos preços do setor de serviços?, afirma.

Ele diz ser normal os preços de muitos serviços aumentarem nesta época do ano, como, por exemplo, os condomínios que não têm provisões para pagamentos de 13.º salário. ?Por isso, eu não acho que a inflação do próximo ano ficará muito diferente do teto da meta, de 6,5%?, diz Heron.

Segundo ele, o que ocorreu entre a terceira quadrissemana de outubro e a segunda de novembro foi um ponto fora da curva, que dificilmente se repetirá. O IPC-Fipe de outubro e novembro do ano passado fecharam em 0,74% e 0,61%, respectivamente, contra 1,28% e 2,65% este ano. ?Além disso, o que tem sido anunciado pelo novo governo, especialmente pelo Antônio Palocci, está muito próximo do que defende o governo atual, com o adicional da sinalização para as reformas. Meu feeling me diz que já estamos no ponto de virada da inflação?, diz Heron do Carmo.