Os integrantes da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) da Emigração Ilegal vão encontrar muitos problemas na comunidade brasileira que mora no Japão (os dekassegui), principalmente em relação à discriminação nas escolas, à inserção na comunidade japonesa e também na questão do tratamento de saúde. A afirmação é da psicóloga e psicanalista Taeco Toma Carignato.

Ela costuma atender brasileiros que retornaram do Japão com "transtornos psiquiátricos graves". E aconselha os integrantes da CPMI a "escutarem os brasileiros, ouvirem suas queixas e reivindicações, visitarem as comunidades brasileiras e as escolas, para verificar o tratamento dado às crianças, além de dialogarem com as autoridades japonesas para melhorar as condições de vida dos dekassegui".

Segundo Taeco Carignato, os brasileiros sofrem discriminação no Japão até mesmo por serem estrangeiros. "Os japoneses são xenófobose os brasileiros descendentes de japoneses são considerados estrangeiros por eles", disse. A psicanalista informou ainda que os brasileiros vivem em comunidades onde é pequena a participação dos japoneses. E as crianças, muitas vezes, são maltratadas até fisicamente nas escolas pelos colegas, por serem diferentes e por não dominarem o idioma.

Os problemas de mudança de cultura têm causado experiências traumáticas aos brasileiros, informou a psicanalista, porque eles enfrentam também os problemas do isolamento e do trabalho excessivo: "Isso provoca crises graves, às vezes passageiras, mas que precisam de tratamento e atenção".

Mesmo reconhecendo que os brasileiros residentes no Japão sofrem algum tipo de discriminação na escola, o presidente do Isec (Instituto de Solidariedade Educacional e Cultural), Reimei Yoshioka, disse que a maioria deles está bem e não pretende voltar para o Brasil. "Existem alguns problemas de dificuldade de inserção dos brasileiros no sistema previdenciário japonês e, também, a dificuldade de inserção das crianças nas escolas, pela dificuldade com o idioma", disse.

Segundo Yoshioka, embora existam mais de 300 mil brasileiros descendentes de japoneses ou com dupla nacionalidade morando no Japão, o número de presos é pequeno ? pouco acima de duas centenas, estimou. E as prisões ocorrem por pequenos delitos, atingindo os que não se adaptaram ao emprego ou à escola, acrescentou.

Reimei Yoshioka disse também que quase todos os brasileiros trabalham nas indústrias automobilísticas, de componentes eletro-eletrônicos e de alimentação. Os salários, segundo ele, estão na faixa de U$ 10 a hora e o trabalhador trabalha em torno de 10 horas por dia.

Os parlamentares da CPMI da Emigração Ilegal que viajaram hoje (27) vão passar uma semana no Japão para manter contatos com autoridades do governo e com a comunidade de dekasseguis nas cidades de Tóquio e Nagoya. A agenda dos parlamentares inclui também contatos com a Embaixada do Brasil e com representantes do Parlamento japonês, dos ministérios dos Negócios Estrangeiros e da Educação, e da Agência Nacional de Polícia, além de visitas a presídios.

O senador Marcelo Crivela (PMR-RJ) e o relator, deputado João Magno (PT-MG), lideram a comitiva brasileira.