O presidente da Infraero, brigadeiro José Carlos Pereira, disse que a normalização dos vôos em todo o País só deverá ocorrer na próxima terça-feira. "A malha aérea foi totalmente destruída. Hoje temos atrasos que variam de 28 horas a 20 minutos", disse Pereira. Ele explicou que o prejuízo na malha aérea da greve dos controladores de vôo decorre do fato de, por cerca de 10 horas, mais ou menos 1.200 vôos programados terem sido cancelados.

O brigadeiro reconheceu que o governo foi lento para enfrentar a crise e fez uma comparação da situação com um acidente de carro. "Eu não diria que houve falha (do governo), mas houve sim um problema de timing. O tempo de reação não foi correspondente ao tempo da ação", afirmou. "Isso é como dirigir um automóvel. Quando a gente não freia, bate. Nós freamos a tempo, porque graças a Deus não houve mortos nem feridos", completou.

As declarações foram feitas após ele deixar o prédio do ministério da Defesa, onde se reuniu por cerca de uma hora com o ministro Waldir Pires e o assessor especial do ministro, brigadeiro Jorge Godinho.

No auge da crise de ontem à noite, quando os aeroportos ficaram paralisados, Pereira disse que se concentrou apenas "em evitar tragédias" e não se envolveu nas negociações com os controladores de vôo. Segundo ele, houve registro de "grande número" de quebra-quebras, agressões e atendimentos médicos, mas não citou números. Para ele, os passageiros devem, a partir de hoje, ter paciência e recomendou que sigam as orientações das companhias aéreas para evitar desgastes e maiores perdas de tempo nos aeroportos.

O brigadeiro informou que passará o dia monitorando a recomposição da malha aérea e o reembarque dos passageiros. Ele espera que até a noite de hoje, a quantidade de pessoas circulando nos aeroportos diminua. Pereira acredita que na Páscoa os passageiros não enfrentem tantos problemas, mas não conseguiu atender à ordem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de fixar uma data para o fim do caos aéreo.