No próximo domingo (28) é o Dia Mundial de Luta Contra Hepatites Virais. Uma doença infecciosa que gera inflamação no fígado, podendo ser aguda (curta duração) ou crônica (longa duração), causada por um grupo de vírus (A, B, C, D e E). Confira na entrevista com a Dra. Letícia Ziggiotti, infectologista do Hospital São Vicente, em Curitiba (PR), mais detalhes da doença:

Quais as formas de transmissão?
Dra. Letícia Ziggiotti: O modo de transmissão depende do tipo do vírus. Sobre os três de maior importância: a hepatite A é transmitida por via fecal-oral, de uma pessoa infectada para outra ou através de água ou alimentos contaminados. O vírus B é transmitido principalmente por via sexual, mas pode também ser transmitido pelas vias parenteral e perinatal (gestação/parto). A hepatite C tem o contato com sangue contaminado como principal via de transmissão.

Qual a melhor forma de prevenção?
Dra. Letícia Ziggiotti: Para prevenir-se, é importante que o indivíduo use preservativo nas relações sexuais, complete os esquemas de vacinação disponíveis quando indicado, não use drogas injetáveis e nem compartilhe objetos de uso pessoal como alicates de unha e lâminas de barbear. Vale lembrar que há vacinas disponíveis contra hepatite B e contra hepatite A.

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Como diagnosticar a doença?
Dra. Letícia Ziggiotti: Existem testes rápidos disponíveis pelo sistema público de saúde, com resultado em poucos minutos, e também exames de sangue específicos que podem ser feitos durante um check-up, por exemplo. É importante que o paciente solicite ao seu médico para que inclua os exames para hepatites virais durante seus exames de rotina.

É uma doença silenciosa?
Dra. Letícia Ziggiotti: Estima-se que mais de 2 milhões de brasileiros sejam portadores de hepatite crônica – e destas, a hepatite C é a mais comum. As hepatites B e C, especialmente, causadoras de hepatite crônica, normalmente fazem pouco ou nenhum sintoma até que a doença já esteja avançada. O perigo é que em fase crônica, os vírus B e C podem ser responsáveis por falência do fígado (cirrose) e câncer, com alta mortalidade.

Como é o tratamento?
Dra. Letícia Ziggiotti: O tratamento varia de acordo com o tipo do vírus – a hepatite A, que causa doença aguda, não tem tratamento específico. As hepatites B e C, que causam também doença crônica, têm tratamentos eficazes e disponíveis gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde. A hepatite C atravessa uma revolução no seu tratamento atualmente, com medicamentos que oferecem chances de cura em mais de 90% dos casos.

Boletim Epidemiológico de Hepatites Virais 2019

Na última década, houve redução de 7% no número de casos de notificados da doença no país. Em 2018, foram registrados 42.383 casos de hepatites virais no Brasil. Em 2008, o número foi de 45.410 casos. Os dados são do novo Boletim Epidemiológico de Hepatites Virais 2019. O levantamento também apontou queda de 9% no número de óbitos, saindo de 2.362 em 2007 para 2.156 em 2017.  Entre as hepatites, o tipo C da doença é a mais prevalente e também a mais letal, com 26.167 casos notificados em 2018.

Dados da Organização Mundial da Saúde apontam que as hepatites virais causam anualmente 1,7 milhão de mortes, no mundo. Em 2017, foram registrados no Brasil 2.184 óbitos provocados por hepatites virais, sendo 1.720 mortes relacionadas à hepatite C. Em decorrência da hepatite A foram notificados 22 óbitos, por hepatite B foram 414 mortes e 28 óbitos em decorrência da hepatite D. Fonte: http://www.saude.gov.br/noticias/agencia-saude/45603-50-mil-pessoas-por-ano-devem-receber-tratamento-contra-a-hepatite-c-no-brasil