"A idéia de abrir os arquivos (da época da ditadura militar) começou a ser posta em execução", afirmou o ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, após reunião da Comissão Interministerial de Averiguação e Análise, realizada hoje no Palácio do Planalto.

A reunião durou quase três horas e foi presidida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Também estiveram presentes o vice-presidente e ministro da Defesa, José Alencar; o ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu; ministro da Secretaria Especial dos Direitos Humanos, Nilmário Miranda; general Armando Félix, do Gabinete de Segurança Institucional e o ministro interino das Relações Exteriores, Samuel Pinheiro Guimarães.

Thomaz Bastos disse que a comissão vai requisitar os arquivos referentes ao período da ditadura militar à Agência Brasileira de Inteligência (Abin), ao antigo Serviço Nacional de Investigação (SNI), Comissão Geral de Investigações, Conselho de Segurança Nacional, Polícia Federal e Forças Armadas.

Segundo ele, os documentos serão reunidos e depois transferidos para o Arquivo Nacional. "Acho que esse é um grande passo, é um passo forte, é um passo decidido na direção da possibilidade de acesso de todos aos documentos existentes nessas repartições, nesses lugares, nesses estabelecimentos", afirmou.

O ministro espera que os documentos comecem a chegar na próxima semana. "A determinação do presidente é que se andasse rapidamente com isso, que se mostrasse que efetivamente nós não pretendemos fazer outra coisa senão a abertura dos arquivos", ressaltou.

Para Thomaz Bastos, esse é um momento importante na história do Brasil. "É um momento fundamental que está na linha do governo do presidente Lula. Ele foi eleito com 53 milhões de votos que apontavam na direção de mudanças e na direção de um compromisso democrático. E o compromisso democrático é um compromisso que envolve e está integrado por essa idéia de que segredos do passado sejam revelados".