O governo decidiu rever a proposta de “tolerância zero” para sementes tratadas com agrotóxicos misturadas com grãos de soja. Hoje o Ministério da Agricultura reuniu representantes da cadeia produtiva da soja para debater o impasse comercial, surgido depois que a China recusou lotes de soja brasileira, porque continham sementes tratadas com fungicidas. Na próxima segunda-feira, o ministério irá anunciar uma instrução normativa com medidas de controle sanitário da soja exportada.

?Queremos saber quais os limites tolerados pelos nossos principais concorrentes no mercado internacional?, afirmou o ministro interino da Agricultura, Amauri Dimarzio.

O ministro interino disse ainda que outros importadores de soja brasileira, como os países europeus, nunca impuseram regras semelhantes às usadas pelos chineses.

Para o presidente da Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec), Sérgio Mendes, os níveis de tolerância de mistura de sementes aos grãos de soja devem ser definidos entre os compradores e os vendedores.

De acordo com ele, o contrato fornecido pela Anec aos seus associados para as negociações de soja prevê tolerância de 0,2% ppm (parte por milhão) de sementes com agrotóxicos, a mesma fixada pela Anvisa. ?O contrato existe há 40 anos e jamais houve problemas dessa ordem?, disse Mendes.

A Anec defende que esse índice seja estabelecido, no caso do Carboxim (um tipo de fungicida), em 0,08% ppm.

O ministério criou hoje o grupo para discutir a instrução normativa. Ele é formado por técnicos do órgão, da Anec, da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), entre outros. Representantes da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) também integram a comissão.