O coordenador de Análises Econômicas da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Salomão Quadros, fez hoje um alerta para o risco do aumento da inflação no segundo semestre. A elevação na variação média dos preços nos dois últimos trimestres do ano viria, segundo o economista, do repasse do aumento represado dos custos da indústria para o varejo. “O aumento da inflação passa a ser uma preocupação”, salienta Quadros, que apresentou nesta manhã em São Paulo o balanço do primeiro semestre e as perspectivas para o ano do setor de embalagens, organizado pela Associação Brasileira de Embalagens (Abre).

Na esteira da retomada do crescimento econômico, o ambiente para o repasse de preços do atacado para o varejo vai se tornando cada vez mais propício, na avaliação do economista da FGV. “Estamos na fase de absorção dos aumentos ocorridos no primeiro semestre”, diz Quadros, ressaltando que em algum momento haverá o repasse. No setor de embalagens, o movimento é dado quase como certo. “Teremos uma inflação de embalagens no segundo semestre”, afirma Quadros.

Ele cita os aumentos em dólar das commodities metálicas, por exemplo, que estão crescendo 50% ao ano, e o petróleo, com reajuste de 28,56% ao ano. “No geral da economia, temos um Índice de Preços no Atacado (IPA) acumulando no ano uma alta duas vezes maior do que os indicadores de preços ao consumidor (IPCs). Enquanto os IPCs estão girando em torno de 5%, os IPAs estão em 10%”, diz o economista da FGV.

De acordo com Quadros, os aumentos por ele citados ocorreram ao longo do primeiro semestre e as empresas saíram prejudicadas porque naquele período não havia a menor possibilidade de se repassar preços. “Agora elas já estão encontrando condições para promoverem o repasse”, diz o coordenador da FGV, para quem o mais importante é que isso se torne uma preocupação para o BC definir as taxas de juros.