O diretor administrativo, financeiro e jurídico da Ferroeste, Samuel Gomes, garantiu nesta terça-feira (19) a continuidade do transporte nos 248 quilômetros da ferrovia ligando Cascavel a Guarapuava. ?Por expressa determinação do governador Roberto Requião, não houve qualquer interrupção na prestação do serviço?, afirmou Samuel em correspondência enviada aos clientes usuários do Terminal de Transbordo José Carlos Senden Jr., em Cascavel (Oeste do Paraná).

De acordo com Samuel Gomes, a operação da ferrovia permaneceu inalterada desde a decretação de falência, pelo juiz da 3ª Vara Cível de Cascavel, Rosaldo Pacagnan, no dia 15 de dezembro. Samuel informou ainda que os funcionários estão trabalhando normalmente. ?Eles estão sendo contratados, em regime emergencial e por prazo determinado, pela Ferroeste?, detalhou.

Para garantir a tranqüilidade aos clientes, Samuel se reuniu com o presidente do Conselho de Usuários da Ferrovia, Alcides Cavalca, e com o diretor de Assuntos do Comércio Exterior da Associação Comercial e Industrial de Cascavel e da Coordenadoria das Associações Comercial e Empresariais, Rafael Salvatti. Ambos foram presenteados pelo diretor com bonés da Ferroeste.

Cavalca revelou que muitos dos usuários perderam a confiança na ferrovia, deixando de lado essa modalidade de transporte. Segundo ele, no começo a Ferroeste tinha 40 clientes, número que afora caiu para dez em período de safra. ?Há muita demanda para poucos vagões. Espero que até fevereiro tudo esteja resolvido, possibilitando o ingresso de outras empresas e cooperativas?, disse o presidente do Conselho dos Usuários.

Democratização

O encontro foi acompanhado pela imprensa. Samuel detalhou o plano de expansão dos serviços e inclusão de clientes de pequeno e médio porte. Atualmente, duas multinacionais utilizam quase que integralmente os serviços a Ferroeste. ?O Estado investiu US$ 363 milhões e não é justo que os pequenos e médios produtores não se beneficiem do transporte ferroviário?, afirmou o diretor da Ferroeste.

?Os gigantes do agronegócio não serão discriminados pela Ferroeste, mas é preciso democratizar o acesso dos pequenos à ferrovia?, disse Samuel Gomes. Ele detalhou esse novo compromisso da ferrovia, acrescentando que isso não se faz com discurso político, mas com medidas concretas. ?É preciso dotar os pequenos de escala e fluxo?, observou.

Para colocar em prática esta nova filosofia, a Ferroeste está projetando a construção de um silo de 120 mil toneladas no terminal de Cascavel. A estrutura será usada exclusivamente pelos pequenos e médios produtores e cerealistas, em regime associativo. ?Também reivindicaremos ao Porto de Paranaguá um espaço exclusivo para eles no silo público?, afirmou Samuel Gomes. O investimento estimado na estrutura é de aproximadamente R$ 20 milhões.

Diversificação

?A ferrovia sempre escoará grãos, mas é preciso reduzir a dependência deste tipo de carga, para assegurar rentabilidade durante todo o ano, e não apenas na safra. Para isso, vamos investir na diversificação das cargas, com ênfase em produtos industrializados?, afirma Samuel Gomes. ?Em março deveremos iniciar o funcionamento de um terminal de contêineres para cargas frigorificadas e óleo vegetal?, disse. O complexo, com capacidade para 25 mil toneladas ao mês, consiste num investimento privado de R$ 2,5 milhões, em parceria com a Ferroeste. A expectativa é que a estrutura esteja em pleno funcionamento até junho de 2007.