Produtores de feijão e milho conhecem
alternativas para produzir mais.

O produtor Marciano Halinski, de Venceslau Braz, na região de Ponta Grossa, está conseguindo melhorar a rentabilidade da propriedade. Hoje, em um alqueire, ele consegue colher setenta sacas de feijão e trezentas sacas de milho, o que representa um aumento de mais de 40% na produção. Esses resultados o produtor obteve com uma mudança de comportamento, que incluem um melhor preparo do solo, rotação de culturas e emprego do plantio direto na palha.

Assim como Marciano Halinski, outros 120 mil pequenos produtores de 67 municípios do Paraná estão conseguindo melhorar a produção. Esses resultados fazem parte do Projeto Centro Sul de Feijão e Milho, desenvolvido, desde 1999, pela Emater em parceria com a empresa Syngenta e Iapar (Instituto Agronômico do Paraná). De acordo com o extensionista regional da Emater, Marco Antônio Brandão Borges, esse projeto tem o objetivo de melhorar a agricultura familiar, com base no sistema feijão/milho, através do aumento da produtividade, diminuição de perdas e melhoria da eficiência do sistema.

Além disso, acrescenta Brandão, o projeto também trabalha com a profissionalização dos produtores, evitando com isso o uso inadequado de tecnologias, degradação do meio ambiente com conseqüências à saúde humana. O extensionista acrescenta que, nas propriedade participantes, a produtividade média nas lavouras de feijão subiu de 1.087 quilos por hectare, em 1999, para 1.707 em 2001. Já o milho teve sua produtividade aumentada, no mesmo período, de 3.324 quilos para 5.451 quilos por hectare, estando acima das médias do Estado.

Segundo dados do Departamento de Economia Rural (Deral), as médias de produtividade alcançadas na safra 2001/2002 são de 867 quilos por hectare em lavouras de feijão e de 3.635 quilos por hectare nas de milho. “Outro resultado positivo desse projeto é o emprego do plantio direto. Em 1999, apenas 22% dos produtores utilizavam o sistema. Hoje isso já chega a 50,5%”, afirmou Brandão.

Semana de campo

Para o engenheiro agrônomo da Emater de Venceslau Braz, Luiz Carlos Pereira, o programa vem ajudando a mudar comportamentos que hoje não se admitem mais na agricultura. “Como os produtos estão vendo os resultados, as mudanças acabam acontecendo de forma natural”, disse Pereira. Com isso, acrescenta, é possível a introdução de outras atividades na propriedade, “mas mantendo as lavouras de feijão e milho como base do sistema.” Um desses exemplos é o produtor Marciano Halinski, que desenvolve a sericicultura – bicho da seda -, através da qual consegue uma renda extra de R$ 1 mil por mês.

Para conhecer melhor os resultados desse projeto, cerca de 1,4 mil pequenos produtores de 34 municípios da região de Ponta Grossa estão participando esta semana de atividades de campo na Fazenda Escola da Universidade Estadual de Ponta Grossa. O evento, que segue até sexta-feira, vai reunir cerca de quatrocentos produtores por dia, que terão a oportunidade conhecer novidades da tecnologia empregada nas duas culturas. Entre elas, o plantio direto, plantas de cobertura, híbridos de milho, controle de pragas e ervas daninhas, cultivares de feijão e aplicação correta de agroquímicos.