Arquivo / O Estado
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Campo foi que melhor reajustou
salários no semestre.

As negociações salariais fechadas no primeiro semestre injetaram aproximadamente R$ 700 milhões na economia paranaense. Conforme levantamento do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese), 22,6% das negociações resultaram em recomposição integral da inflação e 64,7% em aumento real (acima da inflação). O Dieese estima que cerca de 900 mil trabalhadores formais no Paraná têm data-base no primeiro semestre e outros 900 mil no segundo. Entre as diversas atividades analisadas, a agricultura foi a que registrou maior índice de recomposição da inflação e/ou aumento real, seguida pela indústria. Já o comércio e o setor de serviços tiveram os piores desempenhos.

De acordo com o coordenador do Dieese-PR, Pedro Celso Rosa, as negociações no primeiro semestre este ano praticamente repetiram os números do ano passado, quando 88,4% das negociações salariais resultaram em, no mínimo, recomposição da inflação. O pior ano de negociação para os trabalhadores foi 2003, quando apenas 41,9% das negociações registraram reajuste igual à inflação ou maior. ?Foi um ano eleitoral, com forte instabilidade. O dólar subiu, a inflação disparou e isso tudo refletiu nos acordos?, analisou o supervisor técnico do Dieese-PR, Cid Cordeiro.

No Paraná, a agricultura foi o setor em que os acordos salariais foram mais positivos para os trabalhadores – em 93,8% das negociações houve recomposição da inflação pelo INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor) ou aumento real. ?É um setor em que o salário é muito baixo, e o salário mínimo acabou atropelando os pisos salariais da categoria?, explicou Cordeiro, referindo-se ao aumento do salário mínimo de R$ 260 para R$ 300 a partir de 1.º de maio. Também os trabalhadores da indústria tiveram o que comemorar: quase 91% dos acordos resultaram em reajuste salarial. Já no comércio, 13,2% não conseguiram sequer igualar a inflação, enquanto no setor de serviços a situação foi ainda pior, com 14,2% dos acordos abaixo da inflação.

Ao todo, o Dieese-PR analisou 368 resultados de negociações salariais – 239 eram convenções coletivas (por categoria) e 129 acordos coletivos (negociação individual por empresa). No primeiro semestre, o INPC médio ficou em 6,47%. A maior variação foi observada em janeiro (inflação de 8,62% no acumulado de 12 meses) e a menor em junho (5,57%).

Segundo o economista do Dieese-PR, o resultado do primeiro semestre surpreendeu. ?A economia está crescendo menos que no ano passado. Imaginávamos que haveria mais dificuldades em conseguir aumento salarial?, comentou. Para o segundo semestre, acredita, a expectativa é que a inflação acumulada fique em torno de 5%. Entre as categorias que têm data-base no segundo semestre, destaque para os metalúrgicos – que fecharam acordo de reposição de inflação mais 3,7% de aumento real – petroleiros, bancários e outros. Os metalúrgicos das montadoras do Paraná, afirmou Pedro Rosa, têm o maior piso salarial da categoria no País: R$ 1.035,00. ?Os veículos que fabricamos aqui exigem mais qualificação que em outros estados?, afirmou Rosa, também membro do Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba. No Estado de São Paulo, o piso é unificado em R$ 950,00.

Brasil

Em nível nacional, as negociações salariais do primeiro semestre tiveram o melhor resultado já verificado desde 1996, segundo balanço divulgado ontem, com 84% dos acordos com reajustes iguais ou maiores que o INPC.

O recorde anterior para o primeiro semestre havia sido registrado no ano passado, quando 76% dos acordos conseguiram a reposição da inflação.

Para fazer o levantamento, o Dieese compara os reajustes com a inflação pelo INPC porque esse é o indicador mais usado nas negociações salariais, além de servir de referência para reajustar o salário mínimo e as aposentadorias.