O risco Brasil registrou forte alta nesta terça-feira (24), em meio ao crescente nervosismo relacionado aos problemas do mercado hipotecário de segunda linha (subprime) nos EUA. O aumento da aversão ao risco pôde ser visto no acentuado declínio dos mercados de ações doméstico e de Nova York e na alta dos preços dos títulos do Tesouro dos EUA (Treasuries), com respectiva queda dos juros, impulsionados pelo movimento de "fuga para a qualidade".

No fim da tarde, o risco Brasil, medido pelo índice Embi Plus, do banco de investimentos norte-americano JP Morgan, avançava 9 pontos-base, para 178 pontos-base.

O estrategista de bônus da dívida latino-americana Enrique Alvarez, da IDEAglobal em Nova York, disse à agência de notícias Dow Jones que os investidores desta classe de ativos estão "finalmente" vendo os efeitos dos problemas subprime. Até um par de semanas atrás, o mercado de bônus de países emergentes "estavam impenetráveis" aos problemas subprime, "mas a pressão simplesmente vem ficando cada vez maior", acrescentou.

O mercado de ações estabeleceu o tom negativo do dia. Em Nova York, o índice Dow Jones caiu 1,62% e o S&P-500 recuou 1,98%. O gatilho para as perdas do dia foi o fraco lucro obtido pela Countrywine Financial, maior companhia de crédito hipotecário dos EUA, no segundo trimestre. A empresa também cortou novamente sua previsão de lucro em 2007, citando expectativas de que os mercados de hipotecas e moradias ficarão "cada vez mais desafiadores". No mercado doméstico, o índice Bovespa fechou em baixa de 3,86%.

O Embi (sigla em inglês para Índice de Títulos da Dívida de Mercados Emergentes) mede a diferença entre os juros pagos pelos títulos públicos dessas nações e os bônus emitidos pelo governo dos Estados Unidos, considerados os mais seguros do mercado. O risco Brasil em 178 pontos-base significa que os papéis brasileiros pagam de juros 1,78 ponto porcentual mais que os títulos americanos emitidos para o mesmo período de vencimento.