Reunião do CDES em clima de eleição

Foto: Agência Brasil

Lula com o ministro Mantega: melhorar a eficiência dos gastos públicos.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou ontem que o Brasil tem tudo para se tornar, no médio prazo, uma potência do mercado internacional. Segundo ele, as mudanças no comércio exterior atingem áreas de difícil mobilidade, mas que o governo tem lutado para abrir as portas para novos produtos brasileiros. De acordo com o presidente, a abertura da economia faz bem ao País porque melhora a produtividade. Mas garantiu que o governo não deixará de proteger setores da economia brasileira contra a concorrência desleal e a pirataria.

Lula lembrou que o governo já adotou várias medidas antidumping e não deixará de adotar outras se forem necessárias para anular a competição desleal. No entanto, o presidente destacou que ?o tema tem que ser eficiência?. O presidente disse que sempre estranhou a timidez dos outros governos em defender os produtos brasileiros no exterior.

?Eu, com grande satisfação, me sinto um verdadeiro garoto-propaganda dos produtos do Brasil lá fora?, afirmou o presidente, acrescentando que esse papel também é desempenhado por seus ministros, como o do Desenvolvimento, Luiz Fernando Furlan, e das Relações Exteriores, Celso Amorim. O presidente disse ainda que, assim como vender, o Brasil também precisa aprender a comprar. ?O comércio internacional é uma via de duas mãos?, declarou, durante discurso no Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES).

Política fiscal

O presidente afirmou que foi preciso muito esforço econômico, político e até mesmo pessoal para que o Brasil chegasse no patamar atual. ?Temos tudo para crescer, mas não podemos afrouxar. Apesar de o Brasil estar hoje em condições melhores, determinados esforços terão que continuar sendo feitos?, afirmou Lula, se referindo à atual política fiscal.

Ele citou os avanços na economia como a queda da inflação e do risco-país, além da melhoria nas contas externas. ?Mas para não derrapar e cometer qualquer retrocesso é preciso manter a política econômica no caminho certo e manter o equilíbrio fiscal?, comentou.

O presidente disse não concordar com a avaliação de alguns analistas ?de que é preciso cortar, cortar e cortar? os gastos do governo, mas sim que é preciso melhorar a eficiência dos gastos públicos. O presidente afirmou que todas as condições estão dadas para que o Brasil possa entrar na rota do crescimento sustentado. ?Chega de crise a cada dois anos. As condições para a arrancada estão dadas?, disse.

Lula declarou, no entanto, que é preciso aumentar os investimentos públicos e privados nas áreas de infra-estrutura e produção. Para ele, as condições para elevar os investimentos públicos serão dadas com a melhoria da eficiência dos gastos e redução do déficit da Previdência. E, para incentivar os investimentos privados, ele afirmou que o governo está melhorando os marcos legais.

Incentivos

Lula afirmou que um novo incentivo para aumentar os investimentos do setor privado deve vir por meio da complementação do programa de desoneração fiscal. O presidente disse também que ainda falta conseguir reduzir os prazos de devolução do PIS, Cofins e ICMS. ?Este é um desafio para os próximos anos?, disse ele.

O presidente Lula disse também que o Brasil está na contramão do mundo quando o assunto é juros. Segundo ele, enquanto vários países como os Estados Unidos estão aumentando os juros, o Brasil vem reduzindo. Ele afirmou que ?é duro combater a inflação e que isso gera custos, mas nada é pior do que a inflação alta. ?O meu compromisso é com uma inflação baixa. Quero que a inflação seja lembrada pelas gerações futuras como os dinossauros são lembrados hoje?, acentuou.

Lula disse ainda que não considera ser uma missão impossível a redução dos impostos. ?Não usei o aumento de impostos como minha política econômica. A arrecadação (da Receita Federal) não caiu porque tivemos grande sucesso na economia?, justificou o presidente, afirmando que as empresas aumentaram seus lucros e a renda da população subiu. Lula, no entanto, afirmou que ainda quer promover mudanças na área tributária. ?Não tem sentido os empresários pagarem vários impostos em várias esferas de governo. Temos que caminhar para a simplificação?, afirmou, lembrando que tramita no Congresso há vários meses uma proposta de unificação de tributos.

Política

Lula também disse que além das amplas reformas social e econômica, o governo também está comprometido com a reforma política. ?A crise é no âmbito político, na sua inteireza. E não de uma pessoa só?, disse. Para Lula, a reforma política é inadiável. O presidente acredita que as instituições estão maduras para o debate. E, afirmou, que no que depender dele o debate na campanha eleitoral será sobre os grandes desafios. Disse que é preciso reduzir a tensão política, porque todos estão a serviço do País.

 

Conselho propõe metas para os próximos 16 anos

Brasília (ABr) – O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Luiz Fernando Furlan, disse ontem que está na hora de o Brasil olhar para a frente e assumir compromisso com o crescimento, saindo dos alicerces, porque esses já estão sólidos. Furlan fez a afirmação ao participar da reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES), no Palácio do Planalto.

Na reunião, a segunda realizada este ano pelo conselho, o ministro de Relações Institucionais, Tarso Genro, distribuiu documento com 24 metas a serem alcançadas nos próximos 16 anos. Uma das metas é o crescimento mínimo de 6% ao ano, até 2022, com inflação anual em torno de 3% e redução acelerada das desigualdades de renda e regionais.

Ao instalar a reunião, o ministro destacou que o documento não é uma produção de governo, mas sim ?uma colaboração do conselho para o Estado?, a exemplo de sugestões anteriores, que surgiram em discussões do CDES e resultaram em matérias aprovadas no Congresso Nacional. Tarso Genro citou o crédito consignado em salário, uma sugestão do então conselheiro e atual ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho.

Entre as metas citadas pelo ministro, destaca-se a educação, considerada ?estratégica para um novo modelo de desenvolvimento?, com vistas a universalizar a alfabetização e ampliar o ensino básico e a educação profissional. Afinal, enfatizou o ministro do Turismo, Walfrido dos Mares Guia, ?sem melhoria da qualidade do ensino fundamental e superior, não há como garantir avanços sociais e econômicos?.

Repercussões

O empresário Paulo Velinho, representante da Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul (Fiergs), entretanto, disse que ?16 anos é um horizonte muito longo, e o Brasil precisa crescer mais rápido?. Segundo ele, os conselheiros têm o dever de funcionar como agentes de mudanças para um País melhor.

O empresário Jorge Gerdau Johanpeter, do ramo siderúrgico, destacou a necessidade de incentivos para o aumento da poupança interna, a exemplo do que ocorre em países desenvolvidos. Ele citou dados do Banco Mundial (Bird) e da Fundação Getúlio Vargas (FGV), segundo os quais, ?com poupança abaixo de 20% ninguém consegue crescer mais de 2,5% ao ano?.

Para o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, o plano possui metas mais ambiciosas, mas que podem ser atingidas. ?Evidente que teríamos que discutir os pré-requisitos para se buscar atingir essa meta, mas acho que nós estamos nesse rumo?, avaliou.

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