O novo diretor-gerente do FMI (Fundo Monetário Internacional), Rodrigo Rato, elogiou a política econômica brasileira e afirmou que o País conquistou uma “posição sadia” na comunidade financeira internacional. Rato afirmou que o Brasil está se preparando para renovar seu acordo com o FMI, que vence no final deste ano. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sempre afirmou que o País não renovaria este acordo.

“O programa com o Brasil está evoluindo de um modo positivo”, disse o ex-ministro da Economia da Espanha, em sua primeira entrevista coletiva com a imprensa em Washington. Rato assume o cargo no início de junho.

“É claro que o Brasil alcançou uma posição sadia na comunidade financeira internacional. As perspectivas de crescimento são cada vez mais fortes”, disse Rato.

“O Fundo está convencido de que o Brasil poderá continuar com suas políticas de mudanças estruturais em um ambiente mais dinâmico na economia”, afirmou.

Petróleo

O FMI (Fundo Monetário Internacional) acompanha “de perto” a evolução dos preços do petróleo e vê com bons olhos a proposta da Arábia Saudita de elevar o limite de produção da Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo), afirmou o novo diretor-gerente do Fundo, Rodrigo Rato, em sua primeira entrevista com jornalistas em Brasília.

Para Rato, a evolução dos preços tem sido muito brusca nas últimas semanas. “O Fundo considera que a proposta da Arábia Saudita de aumentar a produção da Opep é um bom passo para satisfazer o que é claramente uma forte demanda”, disse.

Rato também afirmou que irá se reunir com os ministros das Finanças do G-7 (grupo dos sete países mais industrializados do mundo ) em um encontro em Nova York, no meio do mês.

“Pretendo participar desse encontro, ou pelo menos parte dele, então certamente terei a chance de colaborar com esses países”, disse.

Rato disse ainda que os juros norte-americanos irão subir, mas a falta de pressões inflacionárias indicam que a mudança será ordenada.

“Acredito que a perspectiva para o futuro é de uma modificação ordenada, e de nenhuma forma extrema, da postura monetária para uma situação mais neutra”, disse.

Petróleo ainda não pressiona a gasolina

A ministra de Minas e Energia, Dilma Rousseff, afirmou ontem que o País não sofre ainda pressões para aumentar preços dos combustíveis por causa da alta do petróleo no mercado internacional. Ontem, o petróleo para junho fechou a US$ 40,06 em Nova York.

Segundo ela, para um país que respeita e tem sensibilidade ao mercado internacional não pode “se estremecer” a cada acontecimento externo. “Você tem que primeiro ver se mudou de patamar ou se não mudou.

Isso serve tanto para a baixa, porque já fomos criticados por não ter baixado preço no ano passado, quanto serve para alta, daqui a pouco vão nos criticar por não ter elevado o preço. Se eu não desci eu não subo”, disse.

“Até que haja modificação sensível na característica, no patamar de preços, nós não iremos proceder a nenhum ajuste. Não tem data marcada para revisão porque ninguém tem bola de cristal”, afirmou ao comentar que se trata de um mercado “muito especulativo”.

Segundo ela, ninguém previa, por exemplo, que a Arábia Saudita iria ampliar sua cota, porque isso é um movimento conjuntural. “O que o governo está fazendo é tranqüilamente observar a tendência para ver de fato aonde o preço estabiliza.”

A ministra admitiu que o desempenho da Petrobras também contribui para essa tranqüilidade no acompanhamento dos acontecimentos no mercado internacional “A verdade é que você não tem a Petrobras tendo prejuízo.

A Petrobras está com um desempenho de mercado bastante significativo”, disse.